sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Mãe
Disse que não. E não estou mesmo, só estou meio apática. Não sei dizer o porquê. ;S
Em seguida, ela me perguntou se tinha algo que eu queria contar para ela, mas achava que ela não fosse compreender.
Mais uma vez, respondi que não. Um não bem mal-dito, justamente para ela perceber que eu estava mentindo. Mas convincente o suficiente para que ela não insistisse no assunto.
Fui pega de surpresa. Fiquei com medo.
E, se eu tivesse dito que sim, mesmo que pedisse para não falar sobre o assunto, eu saberia que ela insistiria em saber o que é. Ou eu começaria a chorar. Não estava no clima para nenhum dos dois.
Mentir dói. Mas pensar em dizer a verdade me apavora.
Sei que a hora está chegando, sinto isso. Mas, quanto mais o tempo passa, mais eu quero ignorá-lo.
Sei que, se ela resolveu perguntar isso, ela está mesmo cogitando a ideia de eu ser gay. E já trabalhou isso na cabeça dela o suficiente para me apoiar e não ficar brava comigo, essas coisas.
Não sei, tenho medo de decepcioná-la. Destruir seus sonhos. É, aqueles, que ela julgava serem os melhores para mim.
Meu pai também não estava em casa. E, quando decidir contar para eles, que seja para os dois.
O Ésli me disse que negar não é o melhor, pois fará com que ela descarte a possibilidade, piorando a situação quando contar.
Espero que o meu "Não" tenha sido na medida certa, então.
Talvez seja uma ótima ideia contar para eles logo...
Tinha a fantasia de contar só quando começasse a namorar, mas...
E acho que faria mais sentido contar quando estivesse namorando.
Como o Syncro diz, para que vou contar sem motivos?
Não sei. =/
Rainbow kisses/ Bjmordida.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Preconceito? Ainda?
Mil desculpas por estar tão ausente! É que estou super enrolada! :S
Estou com milhares de textos da faculdade para ler, e as provas já começaram...
Estou enrolada com meus cursos and, to top it off, estou me mudando!
Não, não estou saindo de casa. rs Eu e minha família vamos morar num apartamento maior.
Finalmente terei meu quarto de volta! :D (Atualmente, divido ele com meu irmão XD)
Então, a mudança realmente tem acabado com qualquer tempo livre meu. Ver móveis novos, pintar os quartos, encaixotar as coisas...
Estou até com o cabelo colorido, para vocês verem como as coisas estão. rs
(Já que não tenho carteira para virar caminhoneira, então virei pedreira! AHAUAHUAHUAHUAHUAHAUHAUAHU)
Enfim, hoje estou super inspirada para postar, e com tempo para isso! *todas comemora*
Hoje, enquanto voltava para casa com duas amigas da facul, surgiu o assunto "meninos". Perder o BV, namorar, essas coisas. Fiquei quieta, fazendo um comentário ou outro.
Não me lembro porque, mas uma das garotas perguntou se eu estava gostando de alguém. Fui sincera e disse que sim. Elas começaram a perguntar quem, perguntaram se conheciam, nome e tudo mais. Fiquei na minha, dizendo "Ahm... É complicado...", fugindo, é claro. rs
Aí elas começaram a perguntar "Por quê? É casado? É gay? Falaaa!". E eu só fugindo... Até que uma hora uma delas perguntou "É uma menina?". Confirmei. E elas reagiram tipo "Ahhh, é isso?! Achei que fosse algo mais sério, pô!". Sei lá, fiquei feliz com isso. hauhauahu
Feliz por contar a verdade e por elas reagirem bem.
Não é que eu tivesse medo de elas reagirem estranho, porque eu sabia que não iam. Mas, sei lá, eu não imaginava que fosse ser tão relax. hahaha A maioria das minhas amigas ficaram sem saber o que dizer, como agir, etc por um tempinho. Acho que não vai ser o caso. rs
Fiquei pensando no fato de simplesmente ter travado na hora de falar sobre a minha homossexualidade.
Quando fui para a faculdade, torcia para que eles fizessem a tal pergunta na semana do trote. Mas, para minha decepção, não fizeram. Isso me obrigou a voltar aos tempos de colégio, em que eu tinha que contar a minha "opção" e tal. E odiei isso. Seria tão mais prático souberem disso logo de cara! E, por estarmos na semana de trote, não seria estranho me assumir assim, sem motivo.
Acho que um dos motivos de ficar tensa na hora de falar sobre o assunto é que não quero que as pessoas me vejam apenas como "A., a lésbica/sapatão/seja-lá-como-me-chamariam". Quero que me vejam como "A., uma garota tímida (insira várias características minhas aqui). Ah, ela também é lésbica.". Não sei, não quero ser "a amiga lésbica", quero ser a A.! Ser lésbica é apenas mais uma característica minha...
Mas sair por aí gritando "SOU LÉSBICA!" já é um pouco demais.
Mas por que demais?!
Porque sou meio tímida/discreta?
Porque quero ser "a A.", não "a lésbica"?
Porque não sou assumida para minha família?
Ou será que ainda tenho preconceito comigo mesma?
Sinceramente, eu não sei. Quando olho para trás, vejo que melhorei muito.
Fico bem comigo mesma. Não sinto tristeza em não ser hétero.
Mas realmente não sei o porquê do meu nervosismo.
Não sei se é por força do hábito...
Acho que em parte sim. Eu sempre me sinto livre como um passarinho (?), mas, quando esse assunto vem à tona (I mean, quando eu tenho que falar DE MIM), fico bem fechada. Como sempre fui até ficar bem comigo mesma e tal....
Enfim, pensarei sobre o assunto. rs
Rainbow kisses! (:
sábado, 20 de agosto de 2011
Vida nova
Devo desculpas por minha ausência no blog, mas tenho dois bons motivos:
1º motivo: Minha faculdade começou! :D
Estou bem animada, apesar da falta de tempo. Perco tempo no transporte - coisa que não estou acostumada, já que faço tudo à pé -, mas acaba valendo a pena. Tem uma menina que mora bem perto de mim, então vamos e voltamos juntas todos os dias. Ela é bem divertida, o que me faz rir bastante e esquecer uma série de coisas. (E não pensem besteira, ela é ht!)
Meu horário é um pouco complexo, e, como ainda estou me adaptando, acabo ficando bem enrolada. rs
Estou gostando de tudo: dos professores, do pessoal, das matérias... Confesso que fiquei um pouco decepcionada com a falta de gays no meu curso (que dizem que sempre tem muitos), mas tudo bem. Aos poucos, alguns vão se revelando. rs
Quero dizer, já não posso mais reclamar da falta de gays em minha vida. Só no último mês, três amigos se "revelaram" para mim e conheci pelo menos uns quatro através de um grupo no Facebook.
A minha reclamação é sobre a falta de lésbicas mesmo. hahaha!
Bem, dê tempo ao tempo, A.
2º motivo: Desânimo total no meu tempo livre.
Infelizmente, algo que eu queria muito não deu certo, mesmo eu tendo dado o meu melhor. Aliás, o meu erro foi ter tentado fazer tudo da maneira certa... Mas não quero falar sobre isso, really.
Meus pais também têm brigado muito comigo - por motivo nenhum, diga-se de passagem - desde que entrei na faculdade.
Isso me deixa pior ainda, além de pensativa: Fico pensando em como vai ser quando me assumir. Toda (ou quase toda) a coragem que estava sentindo se foi. Pelo menos a vergonha de ser o que sou não voltou. E duvido que volte um dia. rs
Enfim, este post ficou MUITO mal escrito, mas foi só para dar notícias mesmo.
Devo postar textos/links que gostei nos próximos dias, certo? E, quando puder, posto algo sobre mim. rs
Rainbow kisses!!!!!!!!!
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Convidado de honra: O outro lado da moeda (Vhcs)
Olás, eu sou o Vhcs, 17 anos, gay – e, sim, sou eu mesmo, não fique pasmo caso me conheça e tenha só agora tenha “notado” minha sexualidade. Aproveitando o gancho do Syncro, sobre família, mostrarei um outro lado da coisa...
Bem, eu também nunca tive problema em me aceitar, desde a 2ª Série já sabia que tinha olhos pros dois sexos, apenas passou o tempo e eu comecei a reparar do que eu gostava mais e com qual eu tinha, caham, “incompatibilidade anatômica”, coloquemos assim. Assim sendo, cresci me escondendo, não necessariamente no sentido negativo da palavra, mesmo porque, por parte da minha mãe, sempre ouvi coisas do gênero “Se você for gay, continuará sendo meu filho.”, além de perguntas subliminares – ou, por vezes, diretas – sobre minha sexualidade, mas nunca havia dito claramente o que eu sou.
Contudo, houve um tempo que acabou por ser necessário falar a “verdade” (me assumi como bi para tentar fazer o impacto ser menor – e talvez isso tenha sido errado/ruim –, o que não é tão irreal assim, eu até posso gostar de uma mulher, mas nunca vou procurar uma, por minha conta; todavia, deixei claro qual é minha preferência), contra a minha vontade, uma vez que minha família se encontrava numa situação difícil (meu pai estava há dois anos desempregado), devido a um deslize meu. Em tese, não seria tão ruim, mas incomodaria, já que, por mais que eu sempre ouvisse a história do “tudo bem se você for”, uma mãe nunca quer isso de fato, né? Contei. Contei e me arrependi. Contei e me arrependi muito. A mãe compreensiva, amigável, querida, efusiva, que queria meu bem d-e-s-a-p-a-r-e-c-e-u, simplesmente. Brigamos; brigamos muito. E, graças ao veneno dela, agora me sinto mal toda vez que chego perto do meu pai; ela conseguiu plantar em mim uma sementinha de culpa, como se eu estivesse fazendo isso para machucá-los, apenas. Como se não basta-se, eu ainda tive que ouvir “Eu NÃO QUERO saber da sua vida. Sobre quem você gosta e essas coisas. A não ser que isso esteja se incomodando.”. Nesse momento, a imagem de mãe, amiga ideal, que eu tinha dela, morreu. E só uma coisa passou pela minha mente: “Isso nunca me incomodou e nunca me incomodará. Se você não aceita o filho que tem, o que posso fazer?”.
No “Entre-Guerras”, eu notei que ela sempre foi homofóbica, mas demonstrava de uma forma amena, num contexto que parecia até ser bom, ser gay. Uma das frases que sempre ouvi é “Entre um filho alcoólatra, drogado e gay; prefiro ter um filho gay.”. À primeira vista, aparenta ser uma frase normal, mas se reparar o nível no qual é posto ser gay, fica clara a aversão.
E, pra completar a minha alegria, esses dias, notei o grau de homofobia do meu pai, o qual questionou a “apologia ao homossexualismo atualmente existente na mídia, que passa novelas com gays, seriados gays, tudo com gays.”. Respondi que teve parada gay esses dias e por isso tava tão na mídia. Ele começou a revidar com mais perguntas e falando que é exagero, eu disse que eles estão conseguindo espaço etc. e completei com “E, ah, pai, não é doença, né?”. Qual foi a resposta? A seguinte: “Não é doença!? É epidemia.”. Por sorte chegamos na casa dos amigos nossos, para onde estávamos indo; não sei o que eu poderia ter dito se isso não tivesse acontecido.
Isso tudo começou a me corroer, muito. Eu realmente esperava uma rejeição de qualquer um menos dos meus pais, ou, ainda, uma rejeição menor... Nunca dei motivos para ser criticado ferrenhamente, minha obrigação como filho e como aluno, eu cumpro; nunca dei trabalho a eles, de fato, e sou e sempre fui o melhor aluno da classe. Isso não vale nada mais, agora? Só porque sou gay tudo que eu fizer não passa da minha obrigação? Ou, talvez, tudo que eu faço agora é pra me redimir dos meus pecados?
De qualquer forma, tenho meus amigos – uma coisa que acho fantástica é o fato de nunca ter sido alvo de críticas sobre este assunto a não ser pelos meus pais –, que sempre estiveram ao meu lado quando precisei – e, diga-se de passagem, o Syncro foi uma peça-chave pra mim.
Por pior que possa parecer a situação, eu estou bem comigo mesmo e sei que um dia poderei esfregar na cara de todos meu sucesso e dizer que consegui tudo sozinho, já que é assim que me deixaram e estou. Independente disso, sou filho único – que, aliás, é mais um motivo pra tudo cair em cima de mim dobrado – e, devido a isso, sou acostumado a estar só. Já diria o ditado: melhor só do que mal acompanhado...
Por fim, digo outra frase famosa, pra quem passa ou sabe que passará por uma fase similar: Depois da tempestade, vem a bonança.
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Terceiro convidado! (Para ver os outros dois, clique aqui.) O que estão achando das histórias? (:
Conheci o Vhcs em 2009, na mesma viagem que citei abaixo do post do Syncro, mas quase não nos falamos naquele ano. Começamos a nos falar em outra viagem do curso, em 2010. E só começamos a ser mais íntimos este ano. Eu ficava implicando (de brincadeira) com ele no facebook, dizendo que ele era gay e tal (sem ser sem-noção/mal-educada, lógico!). Até que um dia ele me contou que era gay mesmo. hahaha! Eu contei indiretamente que era lésbica. Pensei que ele tivesse entendido pela resposta que ele deu, mas... Só depois que ele percebeu que eu era realmente lés. LOL! Foi bem engraçado. =P
Semana passada, fiz essa viagem anual do curso. Lá, encontrei o Vhcs novamente (ele não mora no mesmo estado que eu e o Syncro, infelizmente). Ficamos bem mais próximos. Como o E. disse no post dele, a amizade entre um gay e uma lés é pura. Não há riscos de uma das partes se "confundir". Não que riscos sejam ruins, mas podem acabar com uma amizade bonita por algo pequeno e sem importância. E também fiquei mais próxima do Syncro e do R. (que também é do meu curso. Fiquei sabendo "dele" por causa dos babados do aniversário dele, que não fui. hahaha! E ele ficou sabendo de mim por um grupo gay que participo no Facebook. rs Ele disse que foi "confirmar" com o Syncro sobre mim e que o mesmo passou o link deste blog. Falei que ele poderia escreve aqui, se ele quisesse. Veremos se ele vai topar, né? (= ). A amizade deles está me fazendo muito bem. (=
Aliás, esta viagem foi beeem "colorida"! Tanto quanto uma parada gay. rs Meu gaydar ficou louco! rs. Pena que só funciona para garotos... Teve até uma situação bem engraçada, no nosso primeiro jantar. Sentamos eu, R., Syncro e Vhcs na mesa. Quando já estávamos devidamente acomodados, nos entreolhamos e notamos que a mesa só tinha gente colorida. Caimos na gargalhada! "Tem alguma coisa muito errada nesta mesa!". Depois, uma amiga nossa sentou conosco e ficamos brincando, dizendo que ela tinha salvado a mesa. Obviamente, ela não entendeu a piada, mas morremos de rir. rs
Uma das coisas que mais gosto entre uma amizade gay x lés é o contato físico. Você não precisa de motivos para ter/não ter, não fica com aquela dúvida na cabeça se a pessoa está a fim de você ou não... Nada dessas psicoses. Você abraça porque você quer, simples assim. x3
Sobre a história do Vhcs... Muito triste a atitude da mãe em se mostrar preconceituosa DEPOIS que ele se assumiu. Mas acho que é só uma questão de tempo para que ela se acostume com a ideia... O Vhcs é forte e consegue segurar muito bem "a barra". Eu, particularmente, não aguentaria.
E, infelizmente, muitas pessoas ainda pensam como o pai dele. Pensam que ser gay é "epidemia", que é influência da mídia...
Espero que tenham gostado do post!
Aliás, alguma sugestão/crítica? Podem dizer à vontade, viu? Quero que este blog fique cada vez melhor!
Rainbow kisses!
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Convidado de honra: A not so usual tale (Syncro)
Acho que a minha história é um pouco diferente, pra ser sincero.
Eu nunca tive muitos problemas em me aceitar, pra começar. Não vou dizer que não tive a minha fase “Eu sou bi”, porque tive. Mas, sinceramente, acho que foi mais porque eu ainda era bem novo (devia ter uns 12 nessa época, eu acho) e ainda não tinha aprendido a diferenciar bem atração sexual, interesse amoroso, paixão, amizade forte e todas essas coisas. Mas no dia em que eu já estava mais seguro disso, me pareceu óbvio e evidente que eu era gay, e não tinha nada demais nisso.
Meu primeiro beijo foi com 14 anos. Em outro garoto. E ele foi meu primeiro namorado, também. Pra ser sincero, acho que nunca beijei de verdade uma mulher, sabia o que queria desde cedo, rs. Não sei se foi coisa da minha criação, mas eu realmente nunca vi nada de errado nisso. Todo mundo gosta de quem quer gostar e pronto, visto a camisa feliz.
Minha história é sobre família. Mas, novamente, nada tão óbvio. Embora meus pais ainda não saibam de mim, eu confio cegamente neles e tenho a mais absoluta certeza de que no dia em que eu decidi contar, vai estar tudo bem... Até porque alguém já fez isso antes.
Pois é, eu tenho dois irmãos mais velhos, bem mais velhos na verdade, cerca de 10 anos mais velhos que eu, ambos. E um deles é gay, assumido aqui em casa.
Meu irmão gay se assumiu em casa quando ele tinha 26 anos, o que foi até tarde para os padrões normais, mas não me causa estranheza nenhuma. Eu acho que tenho muita sorte nesse ponto, meus pais são muito tranqüilos com essas coisas da nossa vida particular e nunca perguntam sobre estarmos namorando ou ficando, não costumam jogar indiretas relacionadas às nossas amizades e tudo o mais. De maneira que nós não sentimos pressão a respeito da nossa sexualidade, mesmo. Então o que o meu irmão fez é exatamente o que eu faço agora, viver a vida em paz sem se preocupar, e deixar acontecer o que tiver que acontecer.
E quando ele se assumiu foi tudo muito tranqüilo, também. Sem estardalhaço, sem cena, tudo muito “profissional”, se é que eu posso usar essa palavra pra isso.
Um dia eu posso discutir o fato deu não ser assumido, mas não é sobre isso que quero falar.
Meu irmão não sabe, oficialmente, de mim. Isso é uma coisa que choca boa parte dos meus amigos, no início. Perdi a conta de quantas vezes ouvi “Meu deus, você é gay, tem um irmão mais velho gay e você NÃO fala com ele sobre isso?”. E talvez eu devesse mesmo falar, na verdade eu gostaria que fosse tão simples e prático assim, que eu pudesse falar, fossemos amiguinhos e pronto.
Eu sou meio distante dos meus irmãos. Não distante DISTANTE, eu gosto muito dos meus irmãos e faria qualquer coisa por eles, e tenho certeza de que fariam o mesmo. O que eu quero dizer é que não temos essa intimidade toda, de contar da vida, conversar, discutir coisas. A princípio, meu relacionamento com meus irmãos é ideal. Eu não brigo com eles, nunca. Nunca briguei com nenhum dos dois e sei que isso nunca vai acontecer. Nossas relações são absolutamente cordiais e bem estruturadas. E talvez seja esse o problema, eu não converso com os meus irmãos... Não no sentido amplo, pelo menos. De ficar conversando sobre as coisas a troco de nada, conversar simplesmente porque é isso que as pessoas fazem. A gente só fala coisas objetivas, quando é do interesse de algum de nós.
Eu não tenho muito essa ilusão de que o meu irmão gay acha que eu sou hétero. Pelo contrário, a essa altura, ele deve ter certeza de que eu sou gay. Simplesmente por que o mundo é pequeno, ainda mais o mundo gay. A gente fica sabendo das coisas pelas mais diversas formas.
Pra ser sincero, eu não sinto como se eu escondesse isso dele. Eu simplesmente não falo sobre isso com ele, o que é bem diferente.
A sensação que eu tenho é que se agora ele decidisse ser meu amiguinho e se aproximar, eu iria me decepcionar muito com ele. Pois não ligar pra isso por quase 20 anos e de repente ligar só porque descobriu que eu sou gay, ao meu ver, é um pouco hipócrita.
Mas, ao mesmo tempo, eu não quero falar com ele porque acho que ele já fez algumas coisas que me decepcionaram. Há uns quatro anos atrás, mais ou menos, estudei com um menino gay que, por coincidência, já era conhecido do meu irmão. Este menino (que veio a se tornar meu amigo) me contou, depois, que meu irmão havia pedido pra ele descobrir se eu era gay ou não, já que ele estudava comigo. No final da história ele não falou nada pro meu irmão, mas isso abalou completamente a confiança que eu tenho nele. Eu digo, se ele me perguntasse, eu com certeza falaria a verdade, mas pedir pra alguém descobrir secretamente? Isso é o fim.
Eu não sei, até acho que seria mais interessante se ele soubesse, sim. Mas a hora ainda não chegou e não me sinto confortável com ele, ainda. Mas isso tem melhorado, até tenho saído mais com ele, e estou ficando bastante amigo de um dos amigos dele, que eu gostaria de contar (mas dessa vez, é oficial e não tem nada escondido). Quem sabe o que o futuro nos reserva?
xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Bem, este foi o nosso segundo convidado. (Para quem não leu o post do primeiro, clique aqui.)
Conheço o Syncro desde 2009, quando fizemos uma viagem do nosso curso juntos. Na época, eu ainda namorava e estava bem trancadinha dentro do armário (tanto é que ainda me considerava bissexual). Sempre tive vontade de me assumir para ele, mas, por causa do namoro e de suas restrições (como contei aqui), acabei ficando quieta.
Desde que terminei meu namoro, em 2010, comecei a fazer planos para me assumir para o Syncro e para o pessoal do curso. Mas, ao mesmo tempo, tentava voltar a ser hétero, o que acabou deixando os planos apenas "no papel".
Eis que o Syncro se assumiu para mim semana passada, o que me deixou muito feliz. Ele é o segundo amigo que conheço pessoalmente (e o primeiro que mora aqui na minha cidade) que se assumiu para mim. ^^ Bem, não precisei ser direta para que ele entendesse que também sou gay. rs
Agora que estou confortável com toda a minha situação, realmente pretendo me assumir para o resto do pessoal. Não acho que será algo complicado, pelo contrário. XD
A história do Syncro mostra que nem sempre é difícil se aceitar. Acredito que a maneira que ele foi criado tenha ajudado bastante. Não é toda família que dá liberdade para você ser o que é, sem medo. Tudo isso faz com que qualquer pessoa fique mais tranquila, não é?
Confesso que não sabia que um dos irmãos do Syncro era gay. E também não condeno a atitude infantil que ele teve em tentar descobrir se o Syncro era gay ou não. Acho que cada um tem seu lado imaturo, sabe?
Enfim, fico feliz pela sorte que o Syncro tem. A relação dele com os pais é admirável. (:
Espero que tenham gostado do texto que o nosso convidado escreveu. o/
Rainbow kisses!
sexta-feira, 22 de julho de 2011
It's time to write about myself.
Posso dizer que não faço ideia. Bloqueio certos pensamentos tão bem que nem ao menos sei porque exatamente estou fazendo isso. Forma de me proteger? É bem provável que sim.
Mas me proteger do quê? De mim mesma? De alguém? De um grupo? Talvez de tudo um pouco.
Voltando no tempo, percebo que SEMPRE fui gay (eu me vestia de Tuxedo Mask quando eu era criança! Queria ser como ele...). E, desde que me entendo por gente, ser gay é errado. Tanto que pensava que um gay poderia muito bem namorar uma lésbica, já que o gay procura um homem e uma lésbica procura uma mulher. O homem da relação seria a lésbica, e a mulher, o gay. É certo uma criança pensar assim? Para mim, não mesmo. Isso era uma prova de que a sementinha da homofobia estava plantada em mim. Semente que cresceu e dificultou o meu processo de auto-aceitação.
Eu me lembro muito bem de como eu começava a gostar dos garotos, quando ainda era criança. Todas as amigas gostavam de alguém. Eu não. O que eu fazia? Escolhia o que eu mais falava e fingia gostar dele. Com o tempo, eu até que gostava um pouquinho.
Não foi diferente com minha primeira paixão. Sabe aquele garoto que todos aceitariam como alguém digno de se apaixonar? Pois é. Ficava olhando nos olhos dele, que eram verdes, em busca de um sentimento. Funcionou. E assim foi com todos os outros. (Não que a paixão não fosse verdadeira, só não era muito espontânea. rs)
Nessa época, eu era bem inocente. Beijo era nojento, essas coisas.
Em 2006, quando tinha 13 anos, comecei a ter uma vida online bem... vivida. Falava com pessoas de váários lugares, me apaixonei por garotos que moravam longe e... Comecei a desconfiar de que eu não hétero. Tinha quedas por várias garotas na internet (sem perceber) e, com o tempo, comecei a gostar de uma garota do colégio. Aí sim fiquei mais consciente da situação.
E bem assustada.
Conversei sobre o assunto com uma amiga da internet que era mais velha e mais mente-aberta. Ela disse que era normal ficar na dúvida, que ela mesma já tinha ficado com algumas garotas... Enfim, ela me acalmou.
Como eu era bem inocente, tímida (ok, ainda sou) e não fazia ideia do que estava acontecendo, deixava minha paixão pela tal garota ser apenas platônica. Só de receber a atenção dela, que era muito reservada, fazia com que, sei lá, eu ficasse feliz por uma semana. lol Era um sentimento diferente e mais forte. Eu simplesmente gostava de estar perto dela, e queria que ela gostasse de mim como amiga. Ou pelo menos era nisso que eu queria acreditar.
Posso dizer que também teve seu lado cômico. Andar na rua e sem querer olhar a bunda de uma mulher e pensar "O que você está fazendo?! A., você é bissexual, não tem como negar.". (Não, eu não faço isso. Nem ligo para bunda. MESMO. lol)
Conversei com outras amigas sobre o assunto, recebi apoio delas e tal... Elas perguntaram se eu queria fazer sexo com mulher, eu disse que não, porque achava nojento. Mas também achava nojento sexo com homem. (A inocência é linda, minha gente!) E assim fui seguindo, sem pensar muito no assunto. Eu apenas queria perder o BV o mais rápido possível. lol Bem, mas isso era por pura pressão dos amigos, porque, no fundo, eu sabia que não estava pronta. E me achava ridícula por não estar.
Em 2007, na 8ª série, fiz muitos amigos novos e fortaleci amizades "antigas" (nem tanto...). Contei para a maioria deles de que eu era bissexual e que tinha uma namorada que morava em Ribeirão Preto (comecei a me envolver com ela nas férias de verão). Não era um assunto que eu gostasse de falar com as meninas, porque a maioria delas agiam estranho ao ouvir sobre isso. Conversava com alguns garotos, mas também não muito. A maioria deles achava que era desperdício estar num relacionamento à distância. Bem, ele durou 7 meses.
No final do ano, comecei a ficar bem confusa a respeito dos meus sentimentos por uma amiga, a S. Ela e meu irmão se gostavam, o que me deixava feliz. Mas eu também gostava dela. Não tinha ciúmes da relação deles, mas ela mexia MUITO comigo. O modo como agíamos também não ajudava. Muito contato físico. Mais do que o normal entre amigas. Só faltava a gente se beijar, sinceramente. lol
Well, as coisas entre ela e meu irmão não deram certo (eles nem chegaram a ficar), e ela viajou para ver a mãe, que não morava com ela. Passou as férias inteiras fora, o que me deu muito tempo para pensar sobre o assunto. Ela era hétero, mas o jeito que ela agia comigo era muito suspeito. Ainda mais sabendo que eu era bi. E agora? Contar a verdade e perder uma amiga? Não contar e me sufocar? Contar e ganhar uma namorada? Eu não fazia ideia do que aconteceria.
Quando ela voltou de viagem, duas coisas me surpreenderam:
1 - Meus sentimentos por ela eram mais fortes do que eu imaginava.
2 - Minha mãe estava fazendo de TUDO para que eu ficasse longe dela. Como a S. deu um fora no meu irmão, minha mãe tomou as dores dele de um jeito bem estranho e lunático. Eu tinha que voltar para casa assim que minhas aulas terminassem. Nada de conversar com a S. depois da aula, mesmo que fosse por apenas 15 minutos, como costumávamos fazer. Ela também não podia ir lá em casa. Dormir então... Proibida.
Isso tudo foi bem difícil para mim. Eu já não tinha uma boa relação com a minha mãe, pois eu não era o que ela queria que eu fosse. Eu era bem fechada e pouco feminina. Quer dizer, não que eu fosse masculina, mas nunca fui o tipo de garota apaixonada por salto alto e maquiagem, digamos assim. Bem, não que minha mãe tenha dado um bom exemplo (porque ela também nunca foi fã dessas coisas), mas... Nós brigávamos MUITO. Ela simplesmente não entendia o meu jeito reservado (que ficou pior depois que eu descobri que era bi). Numa das brigas, em setembro de 2007, ela disse que eu era louca e que iria me colocar num psicólogo. Então, toda essa história com a S. só piorou tudo. Minha mãe vivia me deixando de castigo como pretexto para não ver a S. nos finais de semana, fora da escola.
Nesse meio tempo, decidi que iria contar à S. que gostava dela. Éramos muito amigas, então não achava certo mentir para ela. Principalmente fingir que gostava de vê-la com garotos.
Mas, ao mesmo tempo, era muito difícil dizer tudo assim, diretamente. Resolvi dizer que gostava de alguém e que responderia algumas perguntas sobre a tal pessoa. Assim, ela adivinharia quem era essa pessoa ou, quando a coragem fosse maior, eu contaria.
Bem, acho que não preciso dar detalhes (talvez em outro post), mas o fato é que a S. descobriu que eu gostava dela. E disse para mim que, por ela, "tudo bem" (ela também não era boa com palavras... rs). E foi assim que começamos a namorar.
Como ela era hétero (ou era assim que ela se definia), ela queria uma relação discreta. Só contamos que estávamos namorando para alguns amigos e uma amiga (e, quando contei para outra amiga sem a permissão dela, ela SURTOU!). Fazíamos de tudo para não chamar a atenção. Nada de beijos em público. No começo, andávamos de mãos dadas, mas, com o tempo, isso também acabou. Ela tinha muito medo de que a mãe dela descobrisse, mesmo morando tão longe. E, não sabemos como, mas ela quase descobriu, o que fez com que ela ficasse ainda mais psicótica. Consequentemente, eu também fiquei. Eu não tinha vergonha da nossa relação, pelo contrário, mas, depois de um tempo, eu comecei a sentir que tudo aquilo era errado. Uma coisa errada boa, mas errada.
O fato de ter sido criada para achar que ser gay era errado fazia com que eu não quisesse ser (totalmente) gay. Eu era bissexual. Também gostava de garotos. E eu não tinha uma relação lésbica com uma garota! Como deveria ser chamada essa relação, então? Relação bissexual? É, era por aí mesmo. Mesmo que eu quisesse passar o resto da minha vida ao lado da S., eu jamais admitiria que tínhamos esse "tipo" de relação. Eu queria fugir com ela, para não ter que lidar com tudo aquilo: pais, familiares, pessoas homofóbicas, classificações... Comigo mesma...
No final do ano, ela teve que voltar a morar com a mãe, em outra cidade (bem longe daqui, por sinal). Tivemos muitos problemas, "terminamos", nos vimos em Julho de 2009, "voltamos". Ficamos juntas até Julho de 2010. 2 anos e 3 meses, contando com as idas e vindas.
Namorar a S. foi uma das melhores coisas que já fiz, mas uma das piores também. Fiquei muito mais psicótica e medrosa. Eu, que já não queria ser totalmente gay, passei a querer menos ainda. Meu medo de ser rejeitada por ser gay também cresceu. E começar a gostar de outra hétero também não ajudou muito.
2010 foi o ano mais turbulento para mim. Comecei a perceber que talvez eu fosse REALMENTE lésbica. E, quanto mais eu percebia, mais eu me negava. Eu usava o fato de nunca ter ficado com um garoto como desculpa. Até que um dia fiquei com um e vi que não era daquilo que eu gostava. Depois que fiquei com o tal garoto, meus sentimentos pela garota hétero cresceram absurdamente. Era com ela que eu queria ficar! Eu sabia que nenhum garoto me faria sentir o que eu senti pela S. ou pela tal garota, por mais que eu quisesse.
Mas, mesmo sabendo de tuuudo isso, eu continuava me negando: "Beijo é beijo, não importa o sexo, A. O que diferencia os dois sexos é a 'pegada'. E, mesmo assim, isso varia de pessoa para pessoa, não? Vai ver que fui eu que não gostei da 'pegada' dele... Vai ver que, se tivesse sido com outro garoto, eu tivesse gostado..."
E foram com esses pensamentos que continuei me enganando. Eu precisava tentar ficar com outro garoto para ter certeza de que eu não gostava mesmo da coisa. Mas eu não queria. Nenhum garoto despertava meu interesse, mesmo sendo muito bonito. Eu queria gostar de algum, mas simplesmente não conseguia.
Ao mesmo tempo, em 2010, comecei a me aproximar dos meus pais. Antes de 2010, sempre tive o desejo de sair de casa. Eu me sentia sufocada. Evitava me aproximar dos meus pais por puro medo. Sempre soube o que eles pensavam a respeito dos gays, então sabia a provável reação deles. Resolvi ser corajosa e enfrentar o medo de ser rejeitada no futuro. Posso dizer que isso foi bom e ruim. Bom porque, cara, meus pais são maravilhosos. É tão bom sentir o amor deles, dar esse amor. É tão bom dar orgulho para eles. Ruim porque sei que vou decepcioná-los, querendo ou não. Quando eu não ligava para eles, eu não me importava com isso. Mas agora eu ligo. Eu os amo incondionalmente. E isso machuca muito.
Todo esse medo de decepcionar meus pais e enfrentar todos os problemas que surgem ao saírmos do armário fez com que eu continuasse me negando. Até o momento que percebi que não dava mais para negar. Eu queria mudar, mas sabia que não conseguiria.
Fiquei bem mal por não poder escolher o que eu queria ser. Até que conversei com a P. sobre o assunto. Ela me disse coisas que me ajudaram muito. Disse que não deveria ter vergonha de nada que fosse capaz de sentir. E foi nesse dia que decidi me assumir como lésbica. Eu não gostava de garotos, então para que continuar mentindo?! Fiquei aliviada por finalmente conseguir ser sincera comigo mesma. Ainda não conseguia dizer a palavra "lésbica", mas... Pelo menos não estava mentindo para mim mesma.
Comecei então a fazer "terapia de auto-aceitação". Assisti The L Word e outros seriados lés, fui a uma boate lés, repetia a palavra "lésbica" mentalmente várias e várias vezes.... Criei este blog, que era fechado, mas depois abri... Criei perfil numa rede social lés, comecei a ler com mais frequência sites lésbicos, contei para amigos que ainda não sabiam de mim... E cá estou eu, confortável comigo mesma, contando a minha história. Pode até fazer piada com a minha opção sexual que não me importo.
A única coisa que me preocupa é... Sair do armário para a família. Minha mãe nunca foi de demonstrar tanto afeto, diferente do meu pai. Meu pai, mesmo sendo tímido, sempre disse que me amava. Agora que minha mãe está mais amorosa. Diz que me ama, pede carinho antes de dormir... Eu tenho muito medo de perder tudo isso. Aos poucos, estou mostrando para eles que não sou tudo aquilo que eles esperam que eu seja, mas não sei até que ponto isso vai me ajudar quando eu me assumir. Será que eles já desconfiam? Bem, uma coisa é desconfiar, outra é ter certeza.
Dói muito pensar que posso partir o coração deles. Eu não quero decepcioná-los. Eu sei que eles não vão me odiar, mas... Eu espero que eles consigam me entender. Entender que não fui eu que escolhi isso, que até lutei contra isso. Quero que eles gostem da minha namorada tanto quanto gostariam do meu namorado. Não quero que eles sintam vergonha de mim. Não quero que pensem que tenho algum tipo de defeito que eles terão que aceitar e relevar.
Realmente não sei como eles irão reagir. Sei que a hora de contar está chegando, mas o medo ainda é muito grande. Acho que só terei coragem quando tiver uma namorada, para que ela possa me acolher nos momentos tensos.
Não sei se eles já desconfiam. Espero que sim. Assim não será um choque quando eu contar.
Acho que mostrarei este blog para eles quando me assumir. Se mostrar e vocês estiverem lendo isso, saiba que os amo muito. E sempre vou. Sinto muito se os decepcionei.
Rainbow kisses.
PS: A postagem não ficou tão boa quanto eu gostaria, mas... Espero que esteja pelo menos satisfatória.
sábado, 4 de junho de 2011
Convidado de honra: Crescendo, Aprendendo, Remoendo (E.)
Bem, deixa eu começar me apresentando...Meu nome é E., tenho quase 17 anos, estudo no segundo ano do ensino médio, sou homem, gay, britfag*¹ assumido. A A. me convidou para fazer um post neste lindo blog gay, e aqui estou eu pra falar um pouco sobre “Eu e ela”, nosso processo de auto-aceitação, e o que mais me vier a cabeça. >D
Não me lembro exatamente, mas eu tinha 12 ou 13 anos, uma criança, fazendo “amigos virtuais” em um fake de Alphonse Elric. Numa dessas conheci a A., na época chamava de Setsuna! Sim,uma fake de Negima, não sei se vocês conhecem xD
Acho que a gente sempre se deu bem, conversas sempre divertidas e talz. Eu sempre soube que ela curtia, porque ela deixou isso claro, mas com um detalhe... se dizia “Bi”.Não, ela não é bi e vocês já sabem. Enquanto ela se dizia bissexual, eu me dizia hétero. É, eu tava muito pior que ela xD. Nenhum de nós dois estava pronto para se assumir por completo. Eu muito menos. Tive que passar por diabos para perceber que não tinha nada de errado comigo. Já ela, não queria admitir que estava fora do contexto de gostar de meninos, então era mais cômodo falar “Gosto dos dois”. Hoje ambos já estamos confortáveis com essa situação, não me importo em falar “Curto meninos” e nem ela “Curto SÓ meninas”. :D
Durante todo esse período de aceitação, nós não éramos tão íntimos, isso foi rolar depois. Se não me engano, um pouco antes do meio do ano de 2010. Nessa época, eu já estava tranquilo sendo quem eu era, mas só não tinha coragem de revelar para minha família. No começo deste ano, eu contei para os meus pais. Não foi fácil, pois fui criado num meio cristão. Meu pai é pastor. Aliás, ainda não está sendo fácil. Minha família não aceita, mas meu pai tem sido muito compreensivo, ao contrário de minha mãe. Mas estamos trabalhando nisto.
A A. ainda não teve oportunidade e/ou coragem pra contar pra família dela, mas sei que uma hora ela vai falar. E, pelo que nós conversamos, creio que não está longe!
Cara, atualmente ela [A.] é uma das minhas melhores amigas. Nós conversamos tanto, sobre tudo! Essa intimidade que temos é muito legal e muito importante para mim. Creio que seja pra ela também! xD Algo sincero, - 100% sincero - sem segundas intenções. Somos um Gay e uma Lésbica. Não é que eu ache que não exista amizade sincera entre homem e mulher, ou entre homos do meus sexo, é que simplesmente não existe “perigo”. É amizade nua e pura. Foi muito legal quando parei para pensar nisso. Tenho amigos gays e amigas héteros. Já fiquei com um dos meus amigos gays, mas não deu muito certo... Já em relação às héteros, nunca aconteceu comigo, mas já escutei relatos de mulheres que se apaixonaram por gays. Isto é um grande #Fail (Se a A. permitir, quem sabe eu trate deste assunto num outro post) :x Confesso que tenho medo disso. Mas com a A. não preciso ter medo, certo? ;D
Estou quase encerrando, mas queria levantar uma reflexão aos héteros que estão lendo o blog. Tentem nos entender (não entender o gostar do mesmo sexo, mas as consequências que isso traz). Acho que esse também é um dos objetivos do blog.
Não estou pedindo pra ninguém levantar bandeira e dizer que “É legal ser Gay”. Creio que seja interessante ver o lado das pessoas diferentes de nós, e isso serve para todos. Para mim, para a A., para você, em relação as pessoas com uma outra cultura, orientação sexual (É, às vezes nós ficamos tentando entender um bissexual >D), religião ou com alguma deficiência física. Só assim a humanidade estará mais unida, quando abandonarmos o egoísmo e passarmos a pensar nos outros.
Afinal de contas, We’re all Born this way, so don’t Hold it against me! ;)
P.s: *¹: Britney fan
==============================================================
E., espero que não se importe por ter tornado o post um pouco anônimo. D:
Bem, não sei porquê ele disse que nossa amizade não tem "perigo"! O dia que ele virar hétero, caso com ele na hora! (Lésbico ele já é!) HAUHAUAHUA! =P
Falando sério... É muito bom ter o E. como amigo. Fico à vontade de falar sobre qualquer coisa. Isso é muito bom. Não que eu não goste de conversar com meus amigos héteros, pelo contrário. Mas é que vocês não "entendem". Vocês aceitam, apoiam, tentam entender até onde dá (o que eu agradeço MUITO!), mas vocês não sentem o que nós sentimos. Isso soa muito rude e ingrato, mas essa não é a minha intenção!
E não é a mesma coisa conversar com uma lésbica/bissexual, porque você nunca sabe se a garota quer ser apenas amigas ou mais que isso. Daí você tem que controlar suas palavras para não parecer que você quer algo a mais. ;S (Tirando amizades de longa data, como no caso da P.C.)
O E. é um grande exemplo para mim, principalmente pela coragem de contar a verdade para os pais e o irmão. Ele está passando por um momento difícil em relação à isso, mas tenho certeza que tudo ficará bem. Bem, comparando ao que achávamos que seria, foi bem fácil, né, E.? Espero que seja assim para mim também.
E., muito obrigada por TUDO! Ainda te darei muuitos abraços! <3
Rainbow kisses!
(E, não, não somos "heterofóbicos"!)
segunda-feira, 9 de maio de 2011
The Worst Part - So fucking afraid of it
A verdade parece começar a vir à tona, e isso fucking scares me.
O plano era esse, mas está tudo acontecendo tão rápido!
“Prepare o terreno... Assim, fica mais fácil depois.” Argh, por que tive essa maldita idéia?!
Pode parecer covarde querer fugir, mas, quer saber?! Dane-se! Eu SOU covarde. Eu sei que meus pais me amam, mas... É isso que dói. Ao mesmo tempo em que fico bem, fico mal. Cada toque traz um calor agradável. Mas que logo esquenta demais e me queima. Estou completamente queimada.
Eu não quero decepcioná-los, mesmo que temporariamente. Especialmente a minha mãe. Ela sente tanto orgulho de mim, das coisas que faço, da minha determinação. Ela me vê muito maior do que eu realmente sou. E eu vou simplesmente destruir seus sonhos. Porque ela me ama tanto que sonha mais com o meu sucesso e com a minha felicidade do que com os dela. It fucking hurts me!
Semana passada foi tensa:
União homoafetiva reconhecida. Mostrei o meu total apoio. Minha mãe disse um moooooooonte de coisas homofóbicas, inclusive...:
“Se mãe soubesse que o filho é gay desde que nasce, podia até matar... Afogado, sei lá.”
Bem, eu estaria morta então, se ela soubesse desde o princípio. Depois tentaria ter outra menininha.
“Ai, credo, mãe, que coisa horrível.”
“Você sabe que não falo tão sério... Mas não sei por que você se importa tanto.”
Antes disso, ela tinha dito que, se tivesse um filho gay, teria que trabalhar muito sobre o assunto dentro dela.
Fiquei quieta, engolindo um “Então comece logo.”.
E ela ainda lembrou o fato de eu ter dito que não queria ter filhos. Damn it!
Ontem (Dia das mães, por sinal), ela reclamou da minha foto da Mila Kunis (sua LINDA! <3) no wallpaper do celular (isso porque ela não viu o do PC, porque né...).
“Tinha que ser homem!”.
Mas acho que é mais por causa da cena de Cisne Negro, eu acho.
E o meu pai fez o favor de dizer que a Lady Gaga era a musa dos gays. Thanks, Daddy!
Essas pequenas observações estão começando a fazê-la ficar de olho em mim... Tanto é que ela comentou sobre namorar DE NOVO. Não, mãe, eu não quero namoradO! Acho que ela só não enche mais o saco porque a faculdade ainda não começou... Ainda bem.
Queria correr para bem longe disso tudo.
É tão covarde assim me recusar a ter que passar por isso?! =/
Rainbow kiss.