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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Meus pais

Olá, leitor!

No dia 4 de dezembro de 2011, eu finalmente me assumi para minha família.
Para quem não sabe como aconteceu:



Bem, na época que eu me assumi eu não namorava (comecei no dia 21 de dezembro) e, depois que comecei, não fazia ideia de como contar para eles. Resolvi deixar claro que estava saindo com alguém e esperava que um dia eles me perguntassem se ela era minha namorada.
Foi o que aconteceu. Depois de ver uma foto revelada minha com a Bella (essa aqui), minha mãe me perguntou se ela era minha namorada, e eu apenas confirmei. No dia, ela fez umas perguntas engraçadas (tipo "Ela tem pais?", na qual ela obteve a minha seguinte resposta: "Não, mãe, ela é filha de chocadeira!" lol), mas depois ela ficou bem estranha.
Eles souberam do namoro na época do carnaval, e o jeito da minha mãe durou mais ou menos um mês. Meu pai era gentil e legal com a Bella, e isso me deixava muito feliz.

Eis que as coisas mudaram. Não sei, mas sempre tenho a impressão que eles ficam incomodados quando a Bella vem aqui (minha mãe nunca se mostrou feliz, mas teve seus momentos mais tranquilos). Meu pai, que era super tranquilo, passou a tratá-la com certa frieza e indiferença. Por causa disso, nós duas entramos no acordo de ela não vir aqui com a mesma frequência que antes (quer dizer, por ela, ela só vai vir aqui quando ser convidada).
Anyways, a grande questão é: por que as coisas mudaram?
Sinceramente, não tenho nenhuma ideia que seja muito clara em relação à mudança.
Nesse meio-tempo (entre o "Estamos ok" e a situação awkward), minha mãe reclamou sobre exposição no Facebook (descobri que foi minha prima idiota que perguntou algo relacionado, despertando então a atenção dela). Depois de muito tempo, meu pai também reclamou sobre isso, por um comentário (não sei se foi por maldade ou não) que a esposa do meu tio fez.
Quando me assumi, meus pais se mostraram contra qualquer ativismo ou exposição que eu quisesse praticar, mas não sei se a estranheza deles tem a ver com isso.
Por eles terem me aceitado de bom grado, achei que não tinha direito de reclamar de nada, mas confesso que essa situação está me irritando ligeiramente (ok, agora nem tanto, já que a Bells não está vindo aqui). Há quem diga que devo conversar com eles, há quem diga para dar tempo ao tempo.
Do jeito que as coisas funcionam por aqui, acho melhor dar tempo ao tempo.
Há quem diga que eles vão se arrepender e me pedir desculpas. hahaha
Bem, acho que eles já estão se arrependendo, já que estou razoavelmente distante fisicamente (pela falta de tempo) e emocionalmente (pela falta de interesse em me engajar em conversas pessoais).

Enfim, essa é minha vida agora. rs

Rainbow kisses!

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

De que adianta...

... ser uma boa garota....
... se você vai sofrer do mesmo jeito?


Gosto de cuidar de quem gosto: Ouvir, dar carinho, atenção, mimar... Enfim, se fosse homem, seria um verdadeiro gentleman. (Até porque sou mais gentil com as mulheres. rs Homem eu até bato, se me irritar! xP)

Final de maio/começo de junho, conheci uma garota que gostei logo de cara. (Não gostar de se apaixonar, mas de simpatizar, sabe?)
Ela sabia muito bem que sou lésbica e deixou claro que estava em dúvida. Ela chegou até a acessar este blog e ouvir o meu conselho de assistir The L Word, apesar de ser um seriado meio chocante no começo.
Quanto mais nós nos conhecíamos, mais eu me interessava.
Comecei a mandar indiretas, but she didn't give a fuck to me. Ou era muito inocente, ou não estava interessada, ou estava em dúvida e preferia fugir (lindamente, por sinal).
Como ela nunca tinha ficado com uma guria e não correspondia às minhas indiretas, resolvi ir com calma. Até porque, se fosse comigo, eu ia me assustar muito se não respeitassem o meu espaço.

Na primeira vez que saímos, marcamos de almoçar e ir ao cinema. Pelas conversas, fiquei em dúvida se ela realmente entendia o que "cinema" significava. Resolvi perguntar o motivo da escolha, já que ela realmente parecia não ter entendido o "perigo" da coisa. E eu não teria que ficar interpretando sinais de interesse no dia.
(Sou tímida, e isso é uma merda de se fazer. SEMPRE vou achar que a garota não está dando a mínima para mim, ao menos que ela diga que quer algo com todas as letras u.u /oumeagarrar rs)
Eis que ela me responde que escolheu cinema por ser algo mais legal do que simplesmente ficar andando aleatoriamente no shopping. Eu disse que muitas pessoas pensariam que esse "cinema" significava outra coisa. Ela diz que, depois dessa, ganhei a confiança dela.
Interpretei isso como? "Não faça nada no cinema, A."

Ok, no dia, até pensei em fazer algo, porque realmente senti um clima, mas... É aquela coisa, eu não queria ser vista como uma tarada, ainda mais depois de ter ganhado a tal confiança dela.

Saímos algumas vezes depois disso, mas eu simplesmente não tive coragem de fazer nada. E, sei lá, ela sempre fugia das minhas indiretas. ;S
Eu queria ter coragem de pelo menos chegar de "mansinho", tipo segurar a mão para andar, ou ficar mais perto, sei lá.
Mas eu não queria dar um passo maior do que as pernas. E, óbvio, morria de medo de levar um baita fora.

E, quanto mais eu fazia de tudo para que tudo desse certo, mais eu gostava dela.
Mais eu valorizava cada coisinha que ela dizia.
Fazia de tudo para mostrar que eu não era uma garota que ia, sei lá, "pegar e cair fora". Não que eu fosse agir como aquelas lés que se mudam no terceiro encontro, mas eu a respeitaria acima de tudo.

Resolvi que a melhor forma de me mostrar interessada seria apenas falando. Nada de agarrar, tentar beijar... Nada que deixasse um climão ou coisa parecida.
Enfim, por uma série de razões, não pude FALAR, mas escrevi uma carta e tal.

Levei fora. Um fora MUITO gentil e fofo, mas um fora. E, pelo que ela disse no fora, poderia ter sim rolado alguma coisa. Talvez não desse em nada, mas rolaria. Segundo o meu ponto de vista, antes de eu entrar na "friends zone". Ou antes de eu começar a parecer a garota que chora horrores ao levar um fora. A garota que só quer saber de compromisso sério. Ou sei lá-o-quê.

A questão é que isso está me doendo horrores. Não pelo fora em si, mas por ter feito de TUDO para que as coisas dessem certo. Ter feito de tudo para ser uma garota digna de ser a "primeira" dela. (Porque, para mim, isso é mega importante!)
E é aí que foi o meu erro: Ter feito TUDO certo.
Porra, se eu apenas seguisse as minhas vontades, eu não teria me metido tanto nessa história. Mas, não, sou medrosa e gentil.
E acabei me ferrando muito feio por isso.

O mais idiota é ainda ter esperança de que dê um estalo na cabeça da tal garota e ela mude de ideia. Eu sou MUITO idiota!

Eu também queria que ela entendesse que não é como se eu quisesse casar com ela. Nem namorar. Só de ficar já ia me fazer feliz. Tipo, como se todo o meu cuidado tivesse valido à pena, sabe?

Desde que me declarei, paramos de nos falar tão frequentemente.
Isso fez com que, bem ou mal, eu desse meu jeito de ir superando o fora.
Semana passada, voltamos a nos falar. E ela foi toda fofa comigo e tal (se não pensou em me dar uma chance, foi mais do que o necessário... Além da amizade, se me permite dizer. Não quero falar com uma pedra, mas falar com um dos amigos do Charlie, the unicorn é PEDIR para que eu tenha esperança de algo...!)...
... Para simplesmente sumir esta semana.
Esperança idiota morta da pior maneira possível.
Você tem noção do que faz?! Eu acho que não. Eu realmente espero que não! Porque, se tiver, isso é MUITA maldade.

Sei lá, só me sinto muito idiota de ter tido tanto trabalho para nada.
(Não que eu esteja desvalorizando a nossa amizade, mas isso soa mais como um prêmio de consolação, poxa.)

Enfim, eu quero gritar. Eu queria poder dizer todas essas coisas para você, mas eu não quero que você se sinta mal. A culpa não é sua de não gostar de mim.
Só sei que dói. ;S

Rainbow kisses.

PS: Espero que você não se importe de eu ter falado essas coisas por aqui. Acho pouco provável que você leia, mas...

PS2: Eu realmente não queria escrever sobre isso aqui, porque sei que tem alguém muito feliz por ter dado tudo errado. Se você ousar der um sorriso ao ler este post, juro que desejo que você morra da pior maneira possível. Não queria dar esse gostinho para você, mas eu só sei desabafar em blog ou com um psicólogo. Como não posso fazer terapia, escrevo por aqui. Não consigo desabafar plenamente com amigos. E também não gosto de dar (tanto) trabalho para eles.

OBS: Nem preciso dizer que o "você" do post e do "PS" é completamente diferente do "você" do "PS2", né?!

sábado, 6 de agosto de 2011

Uma coisa que as pessoas não costumam saber sobre mim

(E que nem eu sabia)

Não gosto de bebidas. Não bebo. Não gosto que bebam, principalmente as pessoas que eu gosto. Meus amigos sabem disso.
Há alguns meses, pensava que era algo meu, sabe? Questão de gosto. Até que percebi que o meu desgosto por bebidas era forte demais para ser só isso. Ficava beeem mal quando via meus amigos bebendo. Até que teve um dia que parei para pensar no assunto, tentar entender o porquê de tanta aversão a uma coisa tão boba.

Voltei no tempo, quando bebidas não me incomodavam, pelo contrário. Ficava curiosa para saber como é a sensação que a bebida traz. E eu conseguia me ver muito bem bebendo socialmente, ou até mesmo ficando bêbada. lol
Março de 2009. A S., minha então namorada, tinha pedido um tempo. Ao que tudo indicava, iríamos voltar. Em uma de nossas conversas, perguntei se ela queria ficar com outra pessoa. Ela me respondeu que isso não faria sentido, já que a única pessoa que ela gostaria de ficar não estava por perto. Eu realmente estava contando com o dia que voltaríamos.
Em uma Sexta-feira, ela disse que iria à uma boate com uma amiga. Fiquei tensa. Pode parecer besteira, mas eu sou o tipo de pessoa que sente que algo ruim está por vir. Eu não queria que ela fosse, mas... O que eu poderia fazer?
Passei a noite dizendo a mim mesma que era besteira me preocupar, lembrando de quando ela disse que eu era a única pessoa que ela queria ficar.
Sábado de tarde. Ela parecia animada DEMAIS com a tal festa. Tive que sair da internet, pois tinha marcado de sair com uns amigos.
Sábado de noite. Ela veio com uma história de que precisava me contar alguma coisa. Ela disse que tinha bebido e... Eu já sabia o resto da história. Ela ficou com um garoto (desconhecido, segundo ela) na festa.

Eu fiquei muito mal. Porque, mesmo que nós estivéssemos dando um tempo, foi como se ela tivesse me traído. Foi (bem) mais doloroso do que quando ela foi embora. Porque ir embora não foi uma escolha dela. Não desejo essas duas dores para ninguém.

Não sou do tipo de pessoa que guarda rancor, que fica criando traumas. Mas, sem perceber, coloquei toda essa decepção/raiva nas bebidas.
Agora que já descobri o problema, estou bem melhor. Já não fico mal quando vejo alguém beber. Só não bebo. rs Mas pretendo mudar isso em breve.
Não que eu queira me tornar festeira ou algo do tipo, mas a curiosidade para saber como é a sensação de beber voltou.
Um dia eu descubro, de maneira responsável.

Assim como fiz terapia de auto-aceitação, agora estou fazendo terapia para aceitar o fato de que beber é normal em nossa sociedade, querendo ou não.

Bem, só queria dividir essa história pouco conhecida (mas bastante importante). (:

Rainbow Kisses!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Convidado de honra: A not so usual tale (Syncro)

Oi, eu sou o SyncroPC, pode chamar de Syncro. Esse é o nick que eu sempre uso, então se você chegou aqui por acaso e me conhece, fica frio que sou eu mesmo.

Acho que a minha história é um pouco diferente, pra ser sincero.
Eu nunca tive muitos problemas em me aceitar, pra começar. Não vou dizer que não tive a minha fase “Eu sou bi”, porque tive. Mas, sinceramente, acho que foi mais porque eu ainda era bem novo (devia ter uns 12 nessa época, eu acho) e ainda não tinha aprendido a diferenciar bem atração sexual, interesse amoroso, paixão, amizade forte e todas essas coisas. Mas no dia em que eu já estava mais seguro disso, me pareceu óbvio e evidente que eu era gay, e não tinha nada demais nisso.
Meu primeiro beijo foi com 14 anos. Em outro garoto. E ele foi meu primeiro namorado, também. Pra ser sincero, acho que nunca beijei de verdade uma mulher, sabia o que queria desde cedo, rs. Não sei se foi coisa da minha criação, mas eu realmente nunca vi nada de errado nisso. Todo mundo gosta de quem quer gostar e pronto, visto a camisa feliz.

Minha história é sobre família. Mas, novamente, nada tão óbvio. Embora meus pais ainda não saibam de mim, eu confio cegamente neles e tenho a mais absoluta certeza de que no dia em que eu decidi contar, vai estar tudo bem... Até porque alguém já fez isso antes.
Pois é, eu tenho dois irmãos mais velhos, bem mais velhos na verdade, cerca de 10 anos mais velhos que eu, ambos. E um deles é gay, assumido aqui em casa.
Meu irmão gay se assumiu em casa quando ele tinha 26 anos, o que foi até tarde para os padrões normais, mas não me causa estranheza nenhuma. Eu acho que tenho muita sorte nesse ponto, meus pais são muito tranqüilos com essas coisas da nossa vida particular e nunca perguntam sobre estarmos namorando ou ficando, não costumam jogar indiretas relacionadas às nossas amizades e tudo o mais. De maneira que nós não sentimos pressão a respeito da nossa sexualidade, mesmo. Então o que o meu irmão fez é exatamente o que eu faço agora, viver a vida em paz sem se preocupar, e deixar acontecer o que tiver que acontecer.
E quando ele se assumiu foi tudo muito tranqüilo, também. Sem estardalhaço, sem cena, tudo muito “profissional”, se é que eu posso usar essa palavra pra isso.
Um dia eu posso discutir o fato deu não ser assumido, mas não é sobre isso que quero falar.

Meu irmão não sabe, oficialmente, de mim. Isso é uma coisa que choca boa parte dos meus amigos, no início. Perdi a conta de quantas vezes ouvi “Meu deus, você é gay, tem um irmão mais velho gay e você NÃO fala com ele sobre isso?”. E talvez eu devesse mesmo falar, na verdade eu gostaria que fosse tão simples e prático assim, que eu pudesse falar, fossemos amiguinhos e pronto.

Eu sou meio distante dos meus irmãos. Não distante DISTANTE, eu gosto muito dos meus irmãos e faria qualquer coisa por eles, e tenho certeza de que fariam o mesmo. O que eu quero dizer é que não temos essa intimidade toda, de contar da vida, conversar, discutir coisas. A princípio, meu relacionamento com meus irmãos é ideal. Eu não brigo com eles, nunca. Nunca briguei com nenhum dos dois e sei que isso nunca vai acontecer. Nossas relações são absolutamente cordiais e bem estruturadas. E talvez seja esse o problema, eu não converso com os meus irmãos... Não no sentido amplo, pelo menos. De ficar conversando sobre as coisas a troco de nada, conversar simplesmente porque é isso que as pessoas fazem. A gente só fala coisas objetivas, quando é do interesse de algum de nós.

Eu não tenho muito essa ilusão de que o meu irmão gay acha que eu sou hétero. Pelo contrário, a essa altura, ele deve ter certeza de que eu sou gay. Simplesmente por que o mundo é pequeno, ainda mais o mundo gay. A gente fica sabendo das coisas pelas mais diversas formas.
Pra ser sincero, eu não sinto como se eu escondesse isso dele. Eu simplesmente não falo sobre isso com ele, o que é bem diferente.

A sensação que eu tenho é que se agora ele decidisse ser meu amiguinho e se aproximar, eu iria me decepcionar muito com ele. Pois não ligar pra isso por quase 20 anos e de repente ligar só porque descobriu que eu sou gay, ao meu ver, é um pouco hipócrita.

Mas, ao mesmo tempo, eu não quero falar com ele porque acho que ele já fez algumas coisas que me decepcionaram. Há uns quatro anos atrás, mais ou menos, estudei com um menino gay que, por coincidência, já era conhecido do meu irmão. Este menino (que veio a se tornar meu amigo) me contou, depois, que meu irmão havia pedido pra ele descobrir se eu era gay ou não, já que ele estudava comigo. No final da história ele não falou nada pro meu irmão, mas isso abalou completamente a confiança que eu tenho nele. Eu digo, se ele me perguntasse, eu com certeza falaria a verdade, mas pedir pra alguém descobrir secretamente? Isso é o fim.

Eu não sei, até acho que seria mais interessante se ele soubesse, sim. Mas a hora ainda não chegou e não me sinto confortável com ele, ainda. Mas isso tem melhorado, até tenho saído mais com ele, e estou ficando bastante amigo de um dos amigos dele, que eu gostaria de contar (mas dessa vez, é oficial e não tem nada escondido). Quem sabe o que o futuro nos reserva?

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Bem, este foi o nosso segundo convidado. (Para quem não leu o post do primeiro, clique aqui.)
Conheço o Syncro desde 2009, quando fizemos uma viagem do nosso curso juntos. Na época, eu ainda namorava e estava bem trancadinha dentro do armário (tanto é que ainda me considerava bissexual). Sempre tive vontade de me assumir para ele, mas, por causa do namoro e de suas restrições (como contei aqui), acabei ficando quieta.
Desde que terminei meu namoro, em 2010, comecei a fazer planos para me assumir para o Syncro e para o pessoal do curso. Mas, ao mesmo tempo, tentava voltar a ser hétero, o que acabou deixando os planos apenas "no papel".
Eis que o Syncro se assumiu para mim semana passada, o que me deixou muito feliz. Ele é o segundo amigo que conheço pessoalmente (e o primeiro que mora aqui na minha cidade) que se assumiu para mim. ^^ Bem, não precisei ser direta para que ele entendesse que também sou gay. rs
Agora que estou confortável com toda a minha situação, realmente pretendo me assumir para o resto do pessoal. Não acho que será algo complicado, pelo contrário. XD

A história do Syncro mostra que nem sempre é difícil se aceitar. Acredito que a maneira que ele foi criado tenha ajudado bastante. Não é toda família que dá liberdade para você ser o que é, sem medo. Tudo isso faz com que qualquer pessoa fique mais tranquila, não é?
Confesso que não sabia que um dos irmãos do Syncro era gay. E também não condeno a atitude infantil que ele teve em tentar descobrir se o Syncro era gay ou não. Acho que cada um tem seu lado imaturo, sabe?
Enfim, fico feliz pela sorte que o Syncro tem. A relação dele com os pais é admirável. (:

Espero que tenham gostado do texto que o nosso convidado escreveu. o/

Rainbow kisses!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

It's time to write about myself.

Por que tenho evitado escrever sobre mim?
Posso dizer que não faço ideia. Bloqueio certos pensamentos tão bem que nem ao menos sei porque exatamente estou fazendo isso. Forma de me proteger? É bem provável que sim.
Mas me proteger do quê? De mim mesma? De alguém? De um grupo? Talvez de tudo um pouco.

Voltando no tempo, percebo que SEMPRE fui gay (eu me vestia de Tuxedo Mask quando eu era criança! Queria ser como ele...). E, desde que me entendo por gente, ser gay é errado. Tanto que pensava que um gay poderia muito bem namorar uma lésbica, já que o gay procura um homem e uma lésbica procura uma mulher. O homem da relação seria a lésbica, e a mulher, o gay. É certo uma criança pensar assim? Para mim, não mesmo. Isso era uma prova de que a sementinha da homofobia estava plantada em mim. Semente que cresceu e dificultou o meu processo de auto-aceitação.
Eu me lembro muito bem de como eu começava a gostar dos garotos, quando ainda era criança. Todas as amigas gostavam de alguém. Eu não. O que eu fazia? Escolhia o que eu mais falava e fingia gostar dele. Com o tempo, eu até que gostava um pouquinho.
Não foi diferente com minha primeira paixão. Sabe aquele garoto que todos aceitariam como alguém digno de se apaixonar? Pois é. Ficava olhando nos olhos dele, que eram verdes, em busca de um sentimento. Funcionou. E assim foi com todos os outros. (Não que a paixão não fosse verdadeira, só não era muito espontânea. rs)
Nessa época, eu era bem inocente. Beijo era nojento, essas coisas.
Em 2006, quando tinha 13 anos, comecei a ter uma vida online bem... vivida. Falava com pessoas de váários lugares, me apaixonei por garotos que moravam longe e... Comecei a desconfiar de que eu não hétero. Tinha quedas por várias garotas na internet (sem perceber) e, com o tempo, comecei a gostar de uma garota do colégio. Aí sim fiquei mais consciente da situação.
E bem assustada.
Conversei sobre o assunto com uma amiga da internet que era mais velha e mais mente-aberta. Ela disse que era normal ficar na dúvida, que ela mesma já tinha ficado com algumas garotas... Enfim, ela me acalmou.
Como eu era bem inocente, tímida (ok, ainda sou) e não fazia ideia do que estava acontecendo, deixava minha paixão pela tal garota ser apenas platônica. Só de receber a atenção dela, que era muito reservada, fazia com que, sei lá, eu ficasse feliz por uma semana. lol Era um sentimento diferente e mais forte. Eu simplesmente gostava de estar perto dela, e queria que ela gostasse de mim como amiga. Ou pelo menos era nisso que eu queria acreditar.
Posso dizer que também teve seu lado cômico. Andar na rua e sem querer olhar a bunda de uma mulher e pensar "O que você está fazendo?! A., você é bissexual, não tem como negar.". (Não, eu não faço isso. Nem ligo para bunda. MESMO. lol)
Conversei com outras amigas sobre o assunto, recebi apoio delas e tal... Elas perguntaram se eu queria fazer sexo com mulher, eu disse que não, porque achava nojento. Mas também achava nojento sexo com homem. (A inocência é linda, minha gente!) E assim fui seguindo, sem pensar muito no assunto. Eu apenas queria perder o BV o mais rápido possível. lol Bem, mas isso era por pura pressão dos amigos, porque, no fundo, eu sabia que não estava pronta. E me achava ridícula por não estar.
Em 2007, na 8ª série, fiz muitos amigos novos e fortaleci amizades "antigas" (nem tanto...). Contei para a maioria deles de que eu era bissexual e que tinha uma namorada que morava em Ribeirão Preto (comecei a me envolver com ela nas férias de verão). Não era um assunto que eu gostasse de falar com as meninas, porque a maioria delas agiam estranho ao ouvir sobre isso. Conversava com alguns garotos, mas também não muito. A maioria deles achava que era desperdício estar num relacionamento à distância. Bem, ele durou 7 meses.
No final do ano, comecei a ficar bem confusa a respeito dos meus sentimentos por uma amiga, a S. Ela e meu irmão se gostavam, o que me deixava feliz. Mas eu também gostava dela. Não tinha ciúmes da relação deles, mas ela mexia MUITO comigo. O modo como agíamos também não ajudava. Muito contato físico. Mais do que o normal entre amigas. Só faltava a gente se beijar, sinceramente. lol
Well, as coisas entre ela e meu irmão não deram certo (eles nem chegaram a ficar), e ela viajou para ver a mãe, que não morava com ela. Passou as férias inteiras fora, o que me deu muito tempo para pensar sobre o assunto. Ela era hétero, mas o jeito que ela agia comigo era muito suspeito. Ainda mais sabendo que eu era bi. E agora? Contar a verdade e perder uma amiga? Não contar e me sufocar? Contar e ganhar uma namorada? Eu não fazia ideia do que aconteceria.
Quando ela voltou de viagem, duas coisas me surpreenderam:
1 - Meus sentimentos por ela eram mais fortes do que eu imaginava.
2 - Minha mãe estava fazendo de TUDO para que eu ficasse longe dela. Como a S. deu um fora no meu irmão, minha mãe tomou as dores dele de um jeito bem estranho e lunático. Eu tinha que voltar para casa assim que minhas aulas terminassem. Nada de conversar com a S. depois da aula, mesmo que fosse por apenas 15 minutos, como costumávamos fazer. Ela também não podia ir lá em casa. Dormir então... Proibida.
Isso tudo foi bem difícil para mim. Eu já não tinha uma boa relação com a minha mãe, pois eu não era o que ela queria que eu fosse. Eu era bem fechada e pouco feminina. Quer dizer, não que eu fosse masculina, mas nunca fui o tipo de garota apaixonada por salto alto e maquiagem, digamos assim. Bem, não que minha mãe tenha dado um bom exemplo (porque ela também nunca foi fã dessas coisas), mas... Nós brigávamos MUITO. Ela simplesmente não entendia o meu jeito reservado (que ficou pior depois que eu descobri que era bi). Numa das brigas, em setembro de 2007, ela disse que eu era louca e que iria me colocar num psicólogo. Então, toda essa história com a S. só piorou tudo. Minha mãe vivia me deixando de castigo como pretexto para não ver a S. nos finais de semana, fora da escola.
Nesse meio tempo, decidi que iria contar à S. que gostava dela. Éramos muito amigas, então não achava certo mentir para ela. Principalmente fingir que gostava de vê-la com garotos.
Mas, ao mesmo tempo, era muito difícil dizer tudo assim, diretamente. Resolvi dizer que gostava de alguém e que responderia algumas perguntas sobre a tal pessoa. Assim, ela adivinharia quem era essa pessoa ou, quando a coragem fosse maior, eu contaria.
Bem, acho que não preciso dar detalhes (talvez em outro post), mas o fato é que a S. descobriu que eu gostava dela. E disse para mim que, por ela, "tudo bem" (ela também não era boa com palavras... rs). E foi assim que começamos a namorar.
Como ela era hétero (ou era assim que ela se definia), ela queria uma relação discreta. Só contamos que estávamos namorando para alguns amigos e uma amiga (e, quando contei para outra amiga sem a permissão dela, ela SURTOU!). Fazíamos de tudo para não chamar a atenção. Nada de beijos em público. No começo, andávamos de mãos dadas, mas, com o tempo, isso também acabou. Ela tinha muito medo de que a mãe dela descobrisse, mesmo morando tão longe. E, não sabemos como, mas ela quase descobriu, o que fez com que ela ficasse ainda mais psicótica. Consequentemente, eu também fiquei. Eu não tinha vergonha da nossa relação, pelo contrário, mas, depois de um tempo, eu comecei a sentir que tudo aquilo era errado. Uma coisa errada boa, mas errada.
O fato de ter sido criada para achar que ser gay era errado fazia com que eu não quisesse ser (totalmente) gay. Eu era bissexual. Também gostava de garotos. E eu não tinha uma relação lésbica com uma garota! Como deveria ser chamada essa relação, então? Relação bissexual? É, era por aí mesmo. Mesmo que eu quisesse passar o resto da minha vida ao lado da S., eu jamais admitiria que tínhamos esse "tipo" de relação. Eu queria fugir com ela, para não ter que lidar com tudo aquilo: pais, familiares, pessoas homofóbicas, classificações... Comigo mesma...
No final do ano, ela teve que voltar a morar com a mãe, em outra cidade (bem longe daqui, por sinal). Tivemos muitos problemas, "terminamos", nos vimos em Julho de 2009, "voltamos". Ficamos juntas até Julho de 2010. 2 anos e 3 meses, contando com as idas e vindas.
Namorar a S. foi uma das melhores coisas que já fiz, mas uma das piores também. Fiquei muito mais psicótica e medrosa. Eu, que já não queria ser totalmente gay, passei a querer menos ainda. Meu medo de ser rejeitada por ser gay também cresceu. E começar a gostar de outra hétero também não ajudou muito.
2010 foi o ano mais turbulento para mim. Comecei a perceber que talvez eu fosse REALMENTE lésbica. E, quanto mais eu percebia, mais eu me negava. Eu usava o fato de nunca ter ficado com um garoto como desculpa. Até que um dia fiquei com um e vi que não era daquilo que eu gostava. Depois que fiquei com o tal garoto, meus sentimentos pela garota hétero cresceram absurdamente. Era com ela que eu queria ficar! Eu sabia que nenhum garoto me faria sentir o que eu senti pela S. ou pela tal garota, por mais que eu quisesse.
Mas, mesmo sabendo de tuuudo isso, eu continuava me negando: "Beijo é beijo, não importa o sexo, A. O que diferencia os dois sexos é a 'pegada'. E, mesmo assim, isso varia de pessoa para pessoa, não? Vai ver que fui eu que não gostei da 'pegada' dele... Vai ver que, se tivesse sido com outro garoto, eu tivesse gostado..."
E foram com esses pensamentos que continuei me enganando. Eu precisava tentar ficar com outro garoto para ter certeza de que eu não gostava mesmo da coisa. Mas eu não queria. Nenhum garoto despertava meu interesse, mesmo sendo muito bonito. Eu queria gostar de algum, mas simplesmente não conseguia.
Ao mesmo tempo, em 2010, comecei a me aproximar dos meus pais. Antes de 2010, sempre tive o desejo de sair de casa. Eu me sentia sufocada. Evitava me aproximar dos meus pais por puro medo. Sempre soube o que eles pensavam a respeito dos gays, então sabia a provável reação deles. Resolvi ser corajosa e enfrentar o medo de ser rejeitada no futuro. Posso dizer que isso foi bom e ruim. Bom porque, cara, meus pais são maravilhosos. É tão bom sentir o amor deles, dar esse amor. É tão bom dar orgulho para eles. Ruim porque sei que vou decepcioná-los, querendo ou não. Quando eu não ligava para eles, eu não me importava com isso. Mas agora eu ligo. Eu os amo incondionalmente. E isso machuca muito.
Todo esse medo de decepcionar meus pais e enfrentar todos os problemas que surgem ao saírmos do armário fez com que eu continuasse me negando. Até o momento que percebi que não dava mais para negar. Eu queria mudar, mas sabia que não conseguiria.
Fiquei bem mal por não poder escolher o que eu queria ser. Até que conversei com a P. sobre o assunto. Ela me disse coisas que me ajudaram muito. Disse que não deveria ter vergonha de nada que fosse capaz de sentir. E foi nesse dia que decidi me assumir como lésbica. Eu não gostava de garotos, então para que continuar mentindo?! Fiquei aliviada por finalmente conseguir ser sincera comigo mesma. Ainda não conseguia dizer a palavra "lésbica", mas... Pelo menos não estava mentindo para mim mesma.
Comecei então a fazer "terapia de auto-aceitação". Assisti The L Word e outros seriados lés, fui a uma boate lés, repetia a palavra "lésbica" mentalmente várias e várias vezes.... Criei este blog, que era fechado, mas depois abri... Criei perfil numa rede social lés, comecei a ler com mais frequência sites lésbicos, contei para amigos que ainda não sabiam de mim... E cá estou eu, confortável comigo mesma, contando a minha história. Pode até fazer piada com a minha opção sexual que não me importo.
A única coisa que me preocupa é... Sair do armário para a família. Minha mãe nunca foi de demonstrar tanto afeto, diferente do meu pai. Meu pai, mesmo sendo tímido, sempre disse que me amava. Agora que minha mãe está mais amorosa. Diz que me ama, pede carinho antes de dormir... Eu tenho muito medo de perder tudo isso. Aos poucos, estou mostrando para eles que não sou tudo aquilo que eles esperam que eu seja, mas não sei até que ponto isso vai me ajudar quando eu me assumir. Será que eles já desconfiam? Bem, uma coisa é desconfiar, outra é ter certeza.
Dói muito pensar que posso partir o coração deles. Eu não quero decepcioná-los. Eu sei que eles não vão me odiar, mas... Eu espero que eles consigam me entender. Entender que não fui eu que escolhi isso, que até lutei contra isso. Quero que eles gostem da minha namorada tanto quanto gostariam do meu namorado. Não quero que eles sintam vergonha de mim. Não quero que pensem que tenho algum tipo de defeito que eles terão que aceitar e relevar.
Realmente não sei como eles irão reagir. Sei que a hora de contar está chegando, mas o medo ainda é muito grande. Acho que só terei coragem quando tiver uma namorada, para que ela possa me acolher nos momentos tensos.
Não sei se eles já desconfiam. Espero que sim. Assim não será um choque quando eu contar.

Acho que mostrarei este blog para eles quando me assumir. Se mostrar e vocês estiverem lendo isso, saiba que os amo muito. E sempre vou. Sinto muito se os decepcionei.

Rainbow kisses.

PS: A postagem não ficou tão boa quanto eu gostaria, mas... Espero que esteja pelo menos satisfatória.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

How do you know?

Como você sabe quando alguém gosta de você sem dizer isso claramente?
Ok, a pessoa deixa sinais. Mas como você sabe que pegou o ponto certo desses sinais?
Como você não fica com aquela desconfiança do tipo "Será que é isso mesmo?"? Como não sentir medo de arriscar? E, quando se tem coragem, como se arriscar sem dar a cara tão à tapa?

Agora imaginem todas essas coisas no mundo gay.
Posso dizer que gostar de hétero é uma merda. Uma grande, grande merda. Porque, por mais que você saiba que a pessoa é hétero, algumas de suas ações possuem duplo sentido. Pelo menos para você. Daí você pensa "Ok, essa pessoa pode não ter se descoberto ainda...". E cria uma puta de uma esperança que, na maioria das vezes, é super inútil.
Eu é que não tomo iniciativa. Deixa o platônico continuar platônico. Poupa sofrimentos e desgastes.
A única vez que "fiz" alguma coisa foi com a única namorada que tive na vida. Não sei se vocês sabem, mas ela é hétero (ou é assim que ela se define, pelo menos. Ela diz que fui a única exceção da vida dela -q). Como a gente era MUITO próxima, achei que eu deveria ser sincera com ela. Comecei dizendo que gostava de alguém. E la acabou pegando o resto. E tomou a iniciativa de "avançar" na relação. Mas é aquela coisa, eu sentia que daria certo.

Bem, o ponto que quero chegar é que eu não faço a mínima ideia de como saber se uma guria está a fim de mim ou não, ao menos que ela deixe isso super-hiper-mega-claro. Meu gaydar é PÉSSIMO. E, quando sei que garota também gosta de garotas, não sei se ela gosta de mim. E então? O que fazer? Interpretar sinais. Eu não sei fazer isso também. Peço ajuda para alguém. A pessoa diz "Fulana está super a fim de você." ou "Fulana não está nem aí para você.". Sinceramente? Não sei como as pessoas podem ter tanta certeza! LOL

Ok, esse post ficou confuso, eu sei. Mas é que estou com esses pensamentos aleatórios por aqui. Não sei muito o que fazer não, viu? lol

Rainbow kisses!