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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Carta de uma filha a uma mãe

Mãe,

Eu estou com medo, estou dando voltas e não sei com quais palavras começar..
A minha cabeça sempre foi uma bagunça, e eu sempre vivi no meu limite, aprendi a conviver com minhas dores internas a respeito do que eu sou: Eu sou gay, sempre fui.
Não é uma escolha, nós nascemos assim, eu tentei mudar e tirar isso de mim com todas forças, mas eu sou assim.

Por muito tempo eu andei cansada e carregando comigo todo esse segredo. Você não sabe o quanto de coragem tive que acumular todo esse tempo para dizer toda a verdade para você, mãe. 
Dói demais guardar as coisas, ainda mais esse tipo de coisa. Por muito tempo, andei escrevendo e
pintando em velhas folhas tudo o que eu sempre senti, quanto aos meus momentos ruins e
as minhas ideias de fugir para bem longe de casa era apenas uma: covardia de eu não assumir o que eu sempre fui e não encarar a minha realidade.
Eu chorei por muito tempo no meu quarto enquanto escrevia, e a minha intenção nunca foi machucar você com isso.
Eu tenho uma vida boa, tenho amigas e amigos maravilhosos que gostam de mim do jeito que eu sou, eu tenho um irmão incrível que me apoia e tem orgulho do que eu sou. Isso sem falar no meu primo que sempre esteve ao meu lado.

Eu te peço desculpas por tudo isso, a verdade de eu guardar todo esse tempo tem nome e se chama medo, medo da reação, medo de perder o apoio e admiração das pessoas mais importante do mundo pra mim, você e o meu pai. 

Você nunca errou, você simplesmente é você.. é minha mãe. Eu amo você com todas as minhas forças, eu amo mais do que a mim mesma porque você é a pessoa que tem maior significado na minha vida, é só você que atura todos meus momentos de altos e baixos. Você é maravilhosa, e eu tenho uma imensa admiração por você, eu te respeito e sempre valorizei seus conselhos.

Eu preciso de você, Mãe.

- C.
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Esta carta é apenas uma pequena amostra do quanto é difícil para gays e lésbicas lidarem com o fato de se ter que se assumir para a família. Enquanto os heterossexuais simplesmente são o que são, gays, lésbicas, bissexuais e pansexuais precisam expor sua sexualidade para a família, os amigos, os colegas de trabalho... E é assim a vida inteira: várias "saídas do armário".
Para os transgêneros, imagino que seja ainda mais difícil, pois a transexualidade é um tabu ainda maior do que a homossexualidade. Acredito que a ignorância impede que muitas famílias aceitem a readequação de gênero dessas pessoas.
Acredito que a ignorância seja o que mais alimenta o preconceito que atinge toda a comunidade LGBT.
Bem, pelo menos acredito que o mundo já esteja bem melhor que antes. E espero que melhore cada vez mais!

Rainbow Kisses!

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

SyncroPC is back: It isn’t a choice, but if it was...

SyncroPC de novo postando, gente. Espero não incomodar muito a apreciação de vocês ao blog da A., rs.

Hoje eu queria falar sobre uma coisa que eu penso já há algum tempo, mas normalmente eu não tenho com quem discutir. Não quero impor o que vou dizer aqui a ninguém, mas acho um tópico de discussão interessante, um assunto que sempre me fez pensar, e quem sabe poderíamos discutir mais nos comentários.

Acho que todos aqui já devem ter presenciado, alguma vez, em meio a algum discurso a respeito da não-heterossexualidade, principalmente no que diz respeito ao tópico “opção x orientação sexual” aquelas célebres palavras que muitos enchem o peito para dizer: “Ser gay não é uma opção. Eu nasci assim.” E, às vezes, ainda mais, vindas sob a forma do “Você acha que eu escolhi ser gay? Se eu pudesse escolher, eu escolheria ser comum e não ser alvo de preconceitos, é claro! Seria muito mais fácil para mim!

Mas aqui e agora, eu lanço a pergunta a vocês: Se você pudesse escolher, você seria hétero?

Eu quero dizer, é claro que eu, como gay, entendo muito bem o que passa na cabeça das pessoas antes de fazerem afirmativas como essas. Afinal, não ser heterossexual não é fácil pra ninguém, muito pelo contrário. Mas cá entre nós, esse tipo de pensamento é realmente construtivo e nos leva para um mundo melhor? Eu quero dizer, na minha visão, um discurso de “Infelizmente eu não pude escolher e nasci assim. Mas já que as coisas são desse jeito, quero que me tratem bem.” não seria um discurso, de certa forma, próximo de “Homossexualidade é uma doença com a qual alguns nascem, e o que a gente faz é tentar adaptar o mundo, assim como fazemos com os deficientes.”

O que eu quero dizer é que eu, pelo menos, tenho certeza de que não sou doente. E que ser gay é só mais uma das infinitas coisas que eu sou, e justamente por isso detesto esse tipo de discurso. Eu sou gay porque sou, simples assim. Não importa se eu nasci desse jeito ou não, o que importa é que eu não apenas sou, como também tenho o direito de ser. Aliás, e se eu tivesse escolhido ser gay? Isso me tornaria de alguma forma “menos digno” dos direitos homossexuais? Assim como sexualidade , na concepção atual, não é uma escolha; e se fosse, qual seria o problema?

Enfim, se eu pudesse escolher, eu seria gay sim. Porque acho que se eu não fosse gay, eu deixaria de ser quem eu sou e ter vivido as coisas que eu vivi. Ser gay faz parte da definição de quem eu sou, e entender isso é fundamental.

Mas e você, se pudesse escolher...?

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Bem, acho que essa questão de se fazer de vítima é uma forma de preconceito consigo mesmo(a).
Para quem ainda não se aceitou, é compreensível.
Mas, para quem já se aceita, o post do Syncro propõe uma reflexão importante.
Se eu pudesse escolher ser gay ou não, acredito que escolheria ser gay sim.
Quotando o Syncro, faz parte de mim.
Anyway, acho que o argumento de não ter sido uma escolha é muito válido para combater a homofobia. Porque, infelizmente, tem muita gente que acha que ser gay é falta de estrutura familiar e/ou vergonha na cara. E, assim como o Syncro e eu, muitos gays provam que uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Rainbow kisses!

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Convidado de honra: O outro lado da moeda (Vhcs)

(O título e o texto foram "inspirados" na postagem do nosso segundo convidado, o Syncro.)

Olás, eu sou o Vhcs, 17 anos, gay – e, sim, sou eu mesmo, não fique pasmo caso me conheça e tenha só agora tenha “notado” minha sexualidade. Aproveitando o gancho do Syncro, sobre família, mostrarei um outro lado da coisa...
Bem, eu também nunca tive problema em me aceitar, desde a 2ª Série já sabia que tinha olhos pros dois sexos, apenas passou o tempo e eu comecei a reparar do que eu gostava mais e com qual eu tinha, caham, “incompatibilidade anatômica”, coloquemos assim. Assim sendo, cresci me escondendo, não necessariamente no sentido negativo da palavra, mesmo porque, por parte da minha mãe, sempre ouvi coisas do gênero “Se você for gay, continuará sendo meu filho.”, além de perguntas subliminares – ou, por vezes, diretas – sobre minha sexualidade, mas nunca havia dito claramente o que eu sou.
Contudo, houve um tempo que acabou por ser necessário falar a “verdade” (me assumi como bi para tentar fazer o impacto ser menor – e talvez isso tenha sido errado/ruim –, o que não é tão irreal assim, eu até posso gostar de uma mulher, mas nunca vou procurar uma, por minha conta; todavia, deixei claro qual é minha preferência), contra a minha vontade, uma vez que minha família se encontrava numa situação difícil (meu pai estava há dois anos desempregado), devido a um deslize meu. Em tese, não seria tão ruim, mas incomodaria, já que, por mais que eu sempre ouvisse a história do “tudo bem se você for”, uma mãe nunca quer isso de fato, né? Contei. Contei e me arrependi. Contei e me arrependi muito. A mãe compreensiva, amigável, querida, efusiva, que queria meu bem d-e-s-a-p-a-r-e-c-e-u, simplesmente. Brigamos; brigamos muito. E, graças ao veneno dela, agora me sinto mal toda vez que chego perto do meu pai; ela conseguiu plantar em mim uma sementinha de culpa, como se eu estivesse fazendo isso para machucá-los, apenas. Como se não basta-se, eu ainda tive que ouvir “Eu NÃO QUERO saber da sua vida. Sobre quem você gosta e essas coisas. A não ser que isso esteja se incomodando.”. Nesse momento, a imagem de mãe, amiga ideal, que eu tinha dela, morreu. E só uma coisa passou pela minha mente: “Isso nunca me incomodou e nunca me incomodará. Se você não aceita o filho que tem, o que posso fazer?”.
No “Entre-Guerras”, eu notei que ela sempre foi homofóbica, mas demonstrava de uma forma amena, num contexto que parecia até ser bom, ser gay. Uma das frases que sempre ouvi é “Entre um filho alcoólatra, drogado e gay; prefiro ter um filho gay.”. À primeira vista, aparenta ser uma frase normal, mas se reparar o nível no qual é posto ser gay, fica clara a aversão.
E, pra completar a minha alegria, esses dias, notei o grau de homofobia do meu pai, o qual questionou a “apologia ao homossexualismo atualmente existente na mídia, que passa novelas com gays, seriados gays, tudo com gays.”. Respondi que teve parada gay esses dias e por isso tava tão na mídia. Ele começou a revidar com mais perguntas e falando que é exagero, eu disse que eles estão conseguindo espaço etc. e completei com “E, ah, pai, não é doença, né?”. Qual foi a resposta? A seguinte: “Não é doença!? É epidemia.”. Por sorte chegamos na casa dos amigos nossos, para onde estávamos indo; não sei o que eu poderia ter dito se isso não tivesse acontecido.
Isso tudo começou a me corroer, muito. Eu realmente esperava uma rejeição de qualquer um menos dos meus pais, ou, ainda, uma rejeição menor... Nunca dei motivos para ser criticado ferrenhamente, minha obrigação como filho e como aluno, eu cumpro; nunca dei trabalho a eles, de fato, e sou e sempre fui o melhor aluno da classe. Isso não vale nada mais, agora? Só porque sou gay tudo que eu fizer não passa da minha obrigação? Ou, talvez, tudo que eu faço agora é pra me redimir dos meus pecados?
De qualquer forma, tenho meus amigos – uma coisa que acho fantástica é o fato de nunca ter sido alvo de críticas sobre este assunto a não ser pelos meus pais –, que sempre estiveram ao meu lado quando precisei – e, diga-se de passagem, o Syncro foi uma peça-chave pra mim.
Por pior que possa parecer a situação, eu estou bem comigo mesmo e sei que um dia poderei esfregar na cara de todos meu sucesso e dizer que consegui tudo sozinho, já que é assim que me deixaram e estou. Independente disso, sou filho único – que, aliás, é mais um motivo pra tudo cair em cima de mim dobrado – e, devido a isso, sou acostumado a estar só. Já diria o ditado: melhor só do que mal acompanhado...
Por fim, digo outra frase famosa, pra quem passa ou sabe que passará por uma fase similar: Depois da tempestade, vem a bonança.

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Terceiro convidado! (Para ver os outros dois, clique aqui.) O que estão achando das histórias? (:
Conheci o Vhcs em 2009, na mesma viagem que citei abaixo do post do Syncro, mas quase não nos falamos naquele ano. Começamos a nos falar em outra viagem do curso, em 2010. E só começamos a ser mais íntimos este ano. Eu ficava implicando (de brincadeira) com ele no facebook, dizendo que ele era gay e tal (sem ser sem-noção/mal-educada, lógico!). Até que um dia ele me contou que era gay mesmo. hahaha! Eu contei indiretamente que era lésbica. Pensei que ele tivesse entendido pela resposta que ele deu, mas... Só depois que ele percebeu que eu era realmente lés. LOL! Foi bem engraçado. =P
Semana passada, fiz essa viagem anual do curso. Lá, encontrei o Vhcs novamente (ele não mora no mesmo estado que eu e o Syncro, infelizmente). Ficamos bem mais próximos. Como o E. disse no post dele, a amizade entre um gay e uma lés é pura. Não há riscos de uma das partes se "confundir". Não que riscos sejam ruins, mas podem acabar com uma amizade bonita por algo pequeno e sem importância. E também fiquei mais próxima do Syncro e do R. (que também é do meu curso. Fiquei sabendo "dele" por causa dos babados do aniversário dele, que não fui. hahaha! E ele ficou sabendo de mim por um grupo gay que participo no Facebook. rs Ele disse que foi "confirmar" com o Syncro sobre mim e que o mesmo passou o link deste blog. Falei que ele poderia escreve aqui, se ele quisesse. Veremos se ele vai topar, né? (= ). A amizade deles está me fazendo muito bem. (=

Aliás, esta viagem foi beeem "colorida"! Tanto quanto uma parada gay. rs Meu gaydar ficou louco! rs. Pena que só funciona para garotos... Teve até uma situação bem engraçada, no nosso primeiro jantar. Sentamos eu, R., Syncro e Vhcs na mesa. Quando já estávamos devidamente acomodados, nos entreolhamos e notamos que a mesa só tinha gente colorida. Caimos na gargalhada! "Tem alguma coisa muito errada nesta mesa!". Depois, uma amiga nossa sentou conosco e ficamos brincando, dizendo que ela tinha salvado a mesa. Obviamente, ela não entendeu a piada, mas morremos de rir. rs
Uma das coisas que mais gosto entre uma amizade gay x lés é o contato físico. Você não precisa de motivos para ter/não ter, não fica com aquela dúvida na cabeça se a pessoa está a fim de você ou não... Nada dessas psicoses. Você abraça porque você quer, simples assim. x3

Sobre a história do Vhcs... Muito triste a atitude da mãe em se mostrar preconceituosa DEPOIS que ele se assumiu. Mas acho que é só uma questão de tempo para que ela se acostume com a ideia... O Vhcs é forte e consegue segurar muito bem "a barra". Eu, particularmente, não aguentaria.
E, infelizmente, muitas pessoas ainda pensam como o pai dele. Pensam que ser gay é "epidemia", que é influência da mídia...

Espero que tenham gostado do post!
Aliás, alguma sugestão/crítica? Podem dizer à vontade, viu? Quero que este blog fique cada vez melhor!

Rainbow kisses!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Convidado de honra: A not so usual tale (Syncro)

Oi, eu sou o SyncroPC, pode chamar de Syncro. Esse é o nick que eu sempre uso, então se você chegou aqui por acaso e me conhece, fica frio que sou eu mesmo.

Acho que a minha história é um pouco diferente, pra ser sincero.
Eu nunca tive muitos problemas em me aceitar, pra começar. Não vou dizer que não tive a minha fase “Eu sou bi”, porque tive. Mas, sinceramente, acho que foi mais porque eu ainda era bem novo (devia ter uns 12 nessa época, eu acho) e ainda não tinha aprendido a diferenciar bem atração sexual, interesse amoroso, paixão, amizade forte e todas essas coisas. Mas no dia em que eu já estava mais seguro disso, me pareceu óbvio e evidente que eu era gay, e não tinha nada demais nisso.
Meu primeiro beijo foi com 14 anos. Em outro garoto. E ele foi meu primeiro namorado, também. Pra ser sincero, acho que nunca beijei de verdade uma mulher, sabia o que queria desde cedo, rs. Não sei se foi coisa da minha criação, mas eu realmente nunca vi nada de errado nisso. Todo mundo gosta de quem quer gostar e pronto, visto a camisa feliz.

Minha história é sobre família. Mas, novamente, nada tão óbvio. Embora meus pais ainda não saibam de mim, eu confio cegamente neles e tenho a mais absoluta certeza de que no dia em que eu decidi contar, vai estar tudo bem... Até porque alguém já fez isso antes.
Pois é, eu tenho dois irmãos mais velhos, bem mais velhos na verdade, cerca de 10 anos mais velhos que eu, ambos. E um deles é gay, assumido aqui em casa.
Meu irmão gay se assumiu em casa quando ele tinha 26 anos, o que foi até tarde para os padrões normais, mas não me causa estranheza nenhuma. Eu acho que tenho muita sorte nesse ponto, meus pais são muito tranqüilos com essas coisas da nossa vida particular e nunca perguntam sobre estarmos namorando ou ficando, não costumam jogar indiretas relacionadas às nossas amizades e tudo o mais. De maneira que nós não sentimos pressão a respeito da nossa sexualidade, mesmo. Então o que o meu irmão fez é exatamente o que eu faço agora, viver a vida em paz sem se preocupar, e deixar acontecer o que tiver que acontecer.
E quando ele se assumiu foi tudo muito tranqüilo, também. Sem estardalhaço, sem cena, tudo muito “profissional”, se é que eu posso usar essa palavra pra isso.
Um dia eu posso discutir o fato deu não ser assumido, mas não é sobre isso que quero falar.

Meu irmão não sabe, oficialmente, de mim. Isso é uma coisa que choca boa parte dos meus amigos, no início. Perdi a conta de quantas vezes ouvi “Meu deus, você é gay, tem um irmão mais velho gay e você NÃO fala com ele sobre isso?”. E talvez eu devesse mesmo falar, na verdade eu gostaria que fosse tão simples e prático assim, que eu pudesse falar, fossemos amiguinhos e pronto.

Eu sou meio distante dos meus irmãos. Não distante DISTANTE, eu gosto muito dos meus irmãos e faria qualquer coisa por eles, e tenho certeza de que fariam o mesmo. O que eu quero dizer é que não temos essa intimidade toda, de contar da vida, conversar, discutir coisas. A princípio, meu relacionamento com meus irmãos é ideal. Eu não brigo com eles, nunca. Nunca briguei com nenhum dos dois e sei que isso nunca vai acontecer. Nossas relações são absolutamente cordiais e bem estruturadas. E talvez seja esse o problema, eu não converso com os meus irmãos... Não no sentido amplo, pelo menos. De ficar conversando sobre as coisas a troco de nada, conversar simplesmente porque é isso que as pessoas fazem. A gente só fala coisas objetivas, quando é do interesse de algum de nós.

Eu não tenho muito essa ilusão de que o meu irmão gay acha que eu sou hétero. Pelo contrário, a essa altura, ele deve ter certeza de que eu sou gay. Simplesmente por que o mundo é pequeno, ainda mais o mundo gay. A gente fica sabendo das coisas pelas mais diversas formas.
Pra ser sincero, eu não sinto como se eu escondesse isso dele. Eu simplesmente não falo sobre isso com ele, o que é bem diferente.

A sensação que eu tenho é que se agora ele decidisse ser meu amiguinho e se aproximar, eu iria me decepcionar muito com ele. Pois não ligar pra isso por quase 20 anos e de repente ligar só porque descobriu que eu sou gay, ao meu ver, é um pouco hipócrita.

Mas, ao mesmo tempo, eu não quero falar com ele porque acho que ele já fez algumas coisas que me decepcionaram. Há uns quatro anos atrás, mais ou menos, estudei com um menino gay que, por coincidência, já era conhecido do meu irmão. Este menino (que veio a se tornar meu amigo) me contou, depois, que meu irmão havia pedido pra ele descobrir se eu era gay ou não, já que ele estudava comigo. No final da história ele não falou nada pro meu irmão, mas isso abalou completamente a confiança que eu tenho nele. Eu digo, se ele me perguntasse, eu com certeza falaria a verdade, mas pedir pra alguém descobrir secretamente? Isso é o fim.

Eu não sei, até acho que seria mais interessante se ele soubesse, sim. Mas a hora ainda não chegou e não me sinto confortável com ele, ainda. Mas isso tem melhorado, até tenho saído mais com ele, e estou ficando bastante amigo de um dos amigos dele, que eu gostaria de contar (mas dessa vez, é oficial e não tem nada escondido). Quem sabe o que o futuro nos reserva?

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Bem, este foi o nosso segundo convidado. (Para quem não leu o post do primeiro, clique aqui.)
Conheço o Syncro desde 2009, quando fizemos uma viagem do nosso curso juntos. Na época, eu ainda namorava e estava bem trancadinha dentro do armário (tanto é que ainda me considerava bissexual). Sempre tive vontade de me assumir para ele, mas, por causa do namoro e de suas restrições (como contei aqui), acabei ficando quieta.
Desde que terminei meu namoro, em 2010, comecei a fazer planos para me assumir para o Syncro e para o pessoal do curso. Mas, ao mesmo tempo, tentava voltar a ser hétero, o que acabou deixando os planos apenas "no papel".
Eis que o Syncro se assumiu para mim semana passada, o que me deixou muito feliz. Ele é o segundo amigo que conheço pessoalmente (e o primeiro que mora aqui na minha cidade) que se assumiu para mim. ^^ Bem, não precisei ser direta para que ele entendesse que também sou gay. rs
Agora que estou confortável com toda a minha situação, realmente pretendo me assumir para o resto do pessoal. Não acho que será algo complicado, pelo contrário. XD

A história do Syncro mostra que nem sempre é difícil se aceitar. Acredito que a maneira que ele foi criado tenha ajudado bastante. Não é toda família que dá liberdade para você ser o que é, sem medo. Tudo isso faz com que qualquer pessoa fique mais tranquila, não é?
Confesso que não sabia que um dos irmãos do Syncro era gay. E também não condeno a atitude infantil que ele teve em tentar descobrir se o Syncro era gay ou não. Acho que cada um tem seu lado imaturo, sabe?
Enfim, fico feliz pela sorte que o Syncro tem. A relação dele com os pais é admirável. (:

Espero que tenham gostado do texto que o nosso convidado escreveu. o/

Rainbow kisses!

sábado, 4 de junho de 2011

Convidado de honra: Crescendo, Aprendendo, Remoendo (E.)

Bem, deixa eu começar me apresentando...Meu nome é E., tenho quase 17 anos, estudo no segundo ano do ensino médio, sou homem, gay, britfag*¹ assumido. A A. me convidou para fazer um post neste lindo blog gay, e aqui estou eu pra falar um pouco sobre “Eu e ela”, nosso processo de auto-aceitação, e o que mais me vier a cabeça. >D

Não me lembro exatamente, mas eu tinha 12 ou 13 anos, uma criança, fazendo “amigos virtuais” em um fake de Alphonse Elric. Numa dessas conheci a A., na época chamava de Setsuna! Sim,uma fake de Negima, não sei se vocês conhecem xD

Acho que a gente sempre se deu bem, conversas sempre divertidas e talz. Eu sempre soube que ela curtia, porque ela deixou isso claro, mas com um detalhe... se dizia “Bi”.Não, ela não é bi e vocês já sabem. Enquanto ela se dizia bissexual, eu me dizia hétero. É, eu tava muito pior que ela xD. Nenhum de nós dois estava pronto para se assumir por completo. Eu muito menos. Tive que passar por diabos para perceber que não tinha nada de errado comigo. Já ela, não queria admitir que estava fora do contexto de gostar de meninos, então era mais cômodo falar “Gosto dos dois”. Hoje ambos já estamos confortáveis com essa situação, não me importo em falar “Curto meninos” e nem ela “Curto SÓ meninas”. :D

Durante todo esse período de aceitação, nós não éramos tão íntimos, isso foi rolar depois. Se não me engano, um pouco antes do meio do ano de 2010. Nessa época, eu já estava tranquilo sendo quem eu era, mas só não tinha coragem de revelar para minha família. No começo deste ano, eu contei para os meus pais. Não foi fácil, pois fui criado num meio cristão. Meu pai é pastor. Aliás, ainda não está sendo fácil. Minha família não aceita, mas meu pai tem sido muito compreensivo, ao contrário de minha mãe. Mas estamos trabalhando nisto.

A A. ainda não teve oportunidade e/ou coragem pra contar pra família dela, mas sei que uma hora ela vai falar. E, pelo que nós conversamos, creio que não está longe!

Cara, atualmente ela [A.] é uma das minhas melhores amigas. Nós conversamos tanto, sobre tudo! Essa intimidade que temos é muito legal e muito importante para mim. Creio que seja pra ela também! xD Algo sincero, - 100% sincero - sem segundas intenções. Somos um Gay e uma Lésbica. Não é que eu ache que não exista amizade sincera entre homem e mulher, ou entre homos do meus sexo, é que simplesmente não existe “perigo”. É amizade nua e pura. Foi muito legal quando parei para pensar nisso. Tenho amigos gays e amigas héteros. Já fiquei com um dos meus amigos gays, mas não deu muito certo... Já em relação às héteros, nunca aconteceu comigo, mas já escutei relatos de mulheres que se apaixonaram por gays. Isto é um grande #Fail (Se a A. permitir, quem sabe eu trate deste assunto num outro post) :x Confesso que tenho medo disso. Mas com a A. não preciso ter medo, certo? ;D

Estou quase encerrando, mas queria levantar uma reflexão aos héteros que estão lendo o blog. Tentem nos entender (não entender o gostar do mesmo sexo, mas as consequências que isso traz). Acho que esse também é um dos objetivos do blog.
Não estou pedindo pra ninguém levantar bandeira e dizer que “É legal ser Gay”. Creio que seja interessante ver o lado das pessoas diferentes de nós, e isso serve para todos. Para mim, para a A., para você, em relação as pessoas com uma outra cultura, orientação sexual (É, às vezes nós ficamos tentando entender um bissexual >D), religião ou com alguma deficiência física. Só assim a humanidade estará mais unida, quando abandonarmos o egoísmo e passarmos a pensar nos outros.

Afinal de contas, We’re all Born this way, so don’t Hold it against me! ;)

P.s: *¹: Britney fan

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E., espero que não se importe por ter tornado o post um pouco anônimo. D:

Bem, não sei porquê ele disse que nossa amizade não tem "perigo"! O dia que ele virar hétero, caso com ele na hora! (Lésbico ele já é!) HAUHAUAHUA! =P

Falando sério... É muito bom ter o E. como amigo. Fico à vontade de falar sobre qualquer coisa. Isso é muito bom. Não que eu não goste de conversar com meus amigos héteros, pelo contrário. Mas é que vocês não "entendem". Vocês aceitam, apoiam, tentam entender até onde dá (o que eu agradeço MUITO!), mas vocês não sentem o que nós sentimos. Isso soa muito rude e ingrato, mas essa não é a minha intenção!

E não é a mesma coisa conversar com uma lésbica/bissexual, porque você nunca sabe se a garota quer ser apenas amigas ou mais que isso. Daí você tem que controlar suas palavras para não parecer que você quer algo a mais. ;S (Tirando amizades de longa data, como no caso da P.C.)

O E. é um grande exemplo para mim, principalmente pela coragem de contar a verdade para os pais e o irmão. Ele está passando por um momento difícil em relação à isso, mas tenho certeza que tudo ficará bem. Bem, comparando ao que achávamos que seria, foi bem fácil, né, E.? Espero que seja assim para mim também.

E., muito obrigada por TUDO! Ainda te darei muuitos abraços! <3

Rainbow kisses!

(E, não, não somos "heterofóbicos"!)